UE diz que prioridade é salvar vidas em crise de imigrantes

Com mais de 1.800 mortes desde janeiro, 2015 aparece como o mais mortífero na história dos refugiados que tentam chegar à Europa pelo Mediterrâneo

Nova York – A prioridade da Europa é salvar vidas no Mediterrâneo, afirmou nesta segunda-feira a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, ao falar sobre o tema ante o Conselho de Segurança da ONU.

“Nossa prioridade é salvar vidas e evitar uma perda maior de vidas no mar”, disse Mogherini ao apresentar perante os 15 membros do Conselho o plano da União Europeia para enfrentar a crise de migrantes no Mediterrâneo.

Mas a chefe da diplomacia europeia advertiu que a crise dos migrantes “não é apenas uma emergência humanitária, mas também uma crise de segurança, já que as redes de traficantes estão vinculadas a atividades terroristas e as financiam”.

Com mais de 1.800 mortes desde janeiro, este ano aparece como o mais mortífero na história dos refugiados que tentam chegar à Europa pelo Mediterrâneo.

Ao descrever o fluxo de migrantes como uma situação sem precedentes, Mogherini advertiu que é necessária uma resposta excepcional.

O projeto da União Europeia prevê uma ação militar que incluiria a destruição de barcos usados por traficantes que aproveitaram o caos na Líbia para realizar suas operações.

No Conselho, França, Lituânia, Reino Unido e Espanha estão trabalhando com a Itália sobre um projeto de resolução que apoiaria o plano da UE para enfrentar a crise dos migrantes.

Um esboço preliminar autoriza “o uso de todos os meios necessários para capturar e eliminar os navios”, destruindo-os ou tornando-os inoperantes, informaram diplomatas.

No entanto, a Rússia se opõe à possibilidade de destruir os navios, argumentando que os traficantes costumam alugar as embarcações de seus proprietários sem que eles saibam para que elas são utilizadas.

“Isso está indo muito longe”, opinou o embaixador russo Vitaly Churkin na semana passada.

A resolução seria redigida contemplando o capítulo 7 da Carta da ONU, que permite o uso da força e forneceria à UE o direito de agir em águas territoriais líbias caso suas autoridades deem seu consentimento.

“Nossa mensagem aos líbios é a seguinte: a Europa está disposta a ajudá-los de todas as formas possíveis, a Europa estará ao seu lado”, disse Mogherini, acrescentando que “não agiremos contra ninguém, devemos agir juntos”.

Várias organizações de direitos humanos e de ajuda internacional também se opõem a uma ação militar, afirmando que a atenção deixaria de se concentrar em melhorar a situação legal dos migrantes que buscam alcançar a Europa.