UE avalia supervisão da Itália por FMI para melhorar credibilidade

José Barroso disse que a credibilidade do país estava diminuindo devido ao aumento de sua dívida nos mercados secundários, atribuído ao não cumprimento das reformas

Cannes – O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, avaliou nesta sexta-feira a decisão do governo italiano de pedir a supervisão das reformas por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar a melhorar a ‘credibilidade’ da zona do euro.

‘Garantir a credibilidade de todos os nossos membros é importante não só para estabilidade da zona do euro, mas de todo o mundo’, afirmou Barroso em entrevista coletiva pouco antes do término da sexta cúpula do G20, em Cannes (França).

Sobre as dúvidas que surgiram a respeito, Barroso declarou que foi o governo italiano que pediu ao fundo que ‘supervisione os compromissos’ que adquiriu com seu novo plano de reformas.

‘O pedido feito é importante, porque demonstra que a Itália está comprometida com as reformas. Nesta sexta-feira o governo (italiano) pediu ao FMI que faça uma revisão publica, e isso vai melhorar a credibilidade de seus esforços’, disse.

Barroso disse que a credibilidade da Itália estava diminuindo devido ao aumento de sua dívida nos mercados secundários, atribuído ao não cumprimento das reformas anunciadas na cúpula europeia de 26 e 27 de outubro.

A supervisão do FMI, que fará avaliações trimestrais, ocorrerá paralelamente à que vai ser realizada pela Comissão Europeia, que na próxima semana deve enviar uma missão à Itália.


O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, enfatizou que a supervisão do FMI ‘não foi imposta’, mas reconheceu que as conversas com o governo de Silvio Berlusconi foram ‘em um ambiente sério, de cooperação’.

O presidente da Comissão Europeia mostrou-se satisfeito com o apoio que a cúpula do G20 deu à Europa pelas medidas iniciadas para melhorar a estabilidade e enfrentar a crise.

O G20 ‘deu seu apoio aos esforços que iniciamos com determinação, e ao compromisso que os países adquiriram para enfrentar esta situação sem precedentes’, disse, reiterando que ‘o caso da Itália é totalmente diferente da Grécia, em todos os pontos de vista’.

Na cúpula, o G20 também pediu uma ‘união nacional’ na Grécia frente aos eventos desencadeados pelo anúncio da convocação de um plebiscito sobre o plano de resgate europeu, que já foi revogado.