UE apoia abertura diplomática para acabar com guerra síria

Mongherini insistiu na necessidade de "encontrar uma base política para uma transição na Síria" após quatro anos e meio de guerra civil

Berlim – A chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, mostrou nesta segunda-feira confiança nos esforços da comunidade internacional para abrir “canais diplomáticos” que permitam buscar uma solução política que acabe com a guerra civil síria e sente as bases de uma transição nesse país.

“Acredito que não há nenhuma solução militar à guerra na Síria”, insistiu Mogherini em entrevista coletiva na capital da Lituânia, Vilnius, junto ao ministro das Relações Exteriores deste país, Linas Linkevicius.

À margem da operação militar internacional contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), Mongherini insistiu na necessidade “encontrar uma base política para uma transição na Síria” após quatro anos e meio de uma guerra civil que gerou 12 milhões de deslocados só no interior do país.

Na sua opinião, os acordos em torno do programa nuclear iraniano “poderiam abrir o caminho para uma dinâmica regional diferente”, com envolvimento dos diferentes atores da zona e da comunidade internacional, que poderiam “pressionar as partes em conflito na Síria para pôr fim à guerra civil e para iniciar uma transição no governo”.

Mogherini avançou que nos próximos dias voltará a se reunir com o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, e ressaltou a necessidade de destacar a liderança da ONU perante uma crise que, recalcou, tem um caráter regional e global à margem de seu impacto na Europa.

Neste contexto, Mogherini torceu para que amanhã os ministros de Interior europeus sejam capazes de alcançar um acordo em torno da repartição de cotas de refugiados na UE, um passo “extremamente importante “porque a unidade interna reforça a ação exterior.

“Encontrar um caminho para compartilhar a responsabilidade entre os europeus nos dá mais credibilidade e mais poder para trabalhar com nossos aliados, no Oriente Médio, na África, na ONU”, manifestou.

Após lembrar que a Turquia acolhe já dois milhões de refugiados sírios e Jordânia e Líbano um milhão cada um, Mogherini se mostrou convencida que o acordo “não é impossível” em uma Europa que é “rica, forte e grande”.