Ucrânia rejeitará acordo que ameace integridade territorial

O premiê Arseni Yatseniuk fez estas afirmações após a chegada à Ucrânia do presidente francês, François Hollande, e da chanceler alemã, Angela Merkel

Kiev – O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, afirmou nesta quinta-feira que Kiev rejeitará qualquer acordo para regularizar o conflito no leste que ameaça a integridade territorial do país.

“O mais importante é a paz, mas não estudaremos nada que ponha em dúvida a integridade territorial, a soberania, a independência e o futuro europeu” da Ucrânia, disse Yatseniuk perante a imprensa depois de se reunir com o secretário de Estado americano, John Kerry.

Yatseniuk fez estas afirmações após a chegada à Ucrânia do presidente francês, François Hollande, e da chanceler alemã, Angela Merkel, que apresentarão uma proposta em Kiev e Moscou para regular a crise.

O líder destacou que existem vários formatos de negociações – Genebra, Normandia etc. -, mas acrescentou que o ideal para Kiev seria que a União Europeia (UE), Estados Unidos e Ucrânia pactuassem suas posturas.

Yatseniuk lembrou que Kiev aprovou uma lei sobre autonomia provisória para as regiões de Donetsk e Lugansk, que Kiev revogou quando os rebeldes pró-Rússia celebraram em maio eleições separatistas nos territórios sob seu controle.

Além disso, o líder denunciou que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou pessoalmente o desdobramento de tropas no leste da Ucrânia e, em resposta ao pedido de um jornalista de que apresentasse provas a respeito, respondeu: “Posso emprestar meus óculos”.

“O presidente russo deu ordem às tropas. Nós combatemos não só os rebeldes, mas também o exército regular russo. As tropas russas não entraram só na Crimeia, já que não é possível comprar tanques nas lojas em Donetsk e Lugansk”, disse.

Yatseniuk tachou de “ameaça para a estabilidade mundial” a agressão russa.

Por sua vez, o minstro das Relações Exteriores ucraniano, Yevgueni Perebinis, insistiu que a proposta europeia deve estar baseada nos acordos de paz de Minsk assinados em setembro de 2014, que contemplam um cessar-fogo e uma linha de separação.

Perebinis insistiu que o alvo deve ser garantir a unidade da Ucrânia, devolver o controle da fronteira para as autoridades e a retirada das tropas estrangeiras do território nacional.