Turquia detém 1.300 refugiados que viajariam à Grécia

A operação começou de forma simultânea em oito pontos do litoral da cidade de Ayvacik, cujas praias ficam a apenas dez quilômetros de Lesbos

Istambul – As autoridades da Turquia detiveram 1.300 refugiados em uma região litorânea onde normalmente partem as barcas em direção à ilha de Lesbos, na Grécia, uma das vias mais usada pelos imigrantes ilegais para entrar na União Europeia (UE), informou nesta terça-feira o jornal digital turco “T24”.

A operação começou de forma simultânea na segunda-feira em oito pontos do litoral da cidade de Ayvacik, cujas praias ficam a apenas dez quilômetros de Lesbos.

Cerca de 250 agentes participaram da ação, na qual foram presos três supostos traficantes de pessoas.

Além disso, foram apreendidas quatro barcas, seis motores de lancha e uma pistola.

Os 1.300 refugiados detidos, em grande maioria cidadãos da Síria, Iraque, Irã e Afeganistão, foram levados de ônibus ao centro de devolução de imigrantes ilegais de Ayvacik.

A imprensa local destaca que a operação ocorreu um dia depois de um acordo firmado entre o país e a UE.

O pacto determina que a Turquia receberá 3 bilhões de euros, enquanto os 28 membros do bloco acelerarão a isenção de vistos para cidadãos turcos, em troca da redução do fluxo de refugiados em direção à Europa.

O centro de imigrantes ilegais de Ayvacik, reformado em 2012, tem capacidade para receber 84 pessoas, mas chegou a acolher cerca de 480 durante o último verão europeu.

Uma nova ampliação do edifício, para incluir novas 400 camas, só será concluída em julho de 2016, informou em agosto o jornal “Habertürk”.

Segundo dados oficiais citados pelo jornal, nos seis primeiros meses deste ano, 10 mil imigrantes ilegais foram detidos na província de Çanakkale, onde está Ayvacik, a metade deles sírios.

Os sírios são liberados após passarem por um breve interrogatório e terem suas impressões digitais registradas pelas autoridades turcas.

Os demais serão enviados de volta a seus países de origem, teoricamente, em um prazo mínimo de 20 dias ou máximo de seis meses.

No entanto, a Turquia não costuma repatriar os refugiados.

Só os sírios recebem o status oficial de “hóspedes”, o que permite que eles vivam legalmente no país, tenham acesso a serviços básicos de saúde e recebam certos auxílios materiais do governo.

A Turquia assinou a Convenção de Genebra em 1961, mas a cláusula de limitar o direito a asilo a pessoas oriundas da Europa deixa os refugiados de outros países em um limbo jurídico.

Eles podem, porém, permanecer na Turquia enquanto solicitam asilo ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Mas a espera para receber um convite de outro país é longa.

Segundo dados oficiais, Turquia abriga cerca de 2,2 milhões de sírios, dos quais 200 mil vivem em acampamentos governamentais.

O Acnur estima que, além disso, o país acolhe 45 mil afegãos, 100 mil iraquianos e 14 mil iranianos.