Turquia acusa União Europeia de querer derrubar governo de Nicolás Maduro

O presidente da Turquia também criticou as "estruturas imperialistas", em referência aos Estados Unidos, que foi o primeiro país a reconhecer Guaidó

Istambul — O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusou nesta terça-feira a União Europeia (UE) de querer “derrubar o governo” da Venezuela mediante o reconhecimento do autoproclamado presidente interino do país, Juan Guaidó, como feito por vários países do bloco.

“A Venezuela é um Estado de vocês? Como podem dizer a uma pessoa que foi eleita que ela deve sair? Como podem dizer que não foi eleito se ele é o presidente?”, perguntou Erdogan em uma reunião do seu partido, o AKP, transmitida pela emissora de televisão “CNNTürk”.

“Então vocês da UE são democratas? Sempre falam de democracia, de processos eleitorais e depois derrubam um governo”, acrescentou.

O presidente turco também criticou as “estruturas imperialistas”, em uma alusão direta aos Estados Unidos, cujo governo foi o primeiro a apoiar Guaidó.

“Não aceitamos um mundo no qual os fortes têm a razão. Somos contra as estruturas imperialistas”, disse Erdogan.

A Turquia reafirma assim sua posição contra Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela (AN, Parlamento) e a favor de Nicolás Maduro, postura compartilhada com países como Rússia, China, Cuba, Bolívia, Irã e Sérvia.

Por outro lado, Washington e a maioria dos membros da UE, além de alguns países latino-americanos, apoiam o político opositor de 35 anos, que não reconheceu as eleições presidenciais e, consequentemente, o segundo mandato de Maduro, iniciado há duas semanas.

A Turquia é um grande fornecedor de alimentos e outros bens para a Venezuela, e também começou a refinar e certificar ouro venezuelano.

Ambos os países anunciaram no ano passado projetos de cooperação e exploração de carvão e ouro, enquanto negociam possíveis investimentos turcos na indústria petrolífera da Venezuela, que conta com as maiores reservas de petróleo do mundo.