Trump vs. o “pântano”: uma batalha americana

O último tweet de Trump, publicado na madrugada desta quinta, dá o tom do tamanho do buraco em que o presidente está metido

“Eu estou drenando o pântano, e o pântano está lutando de volta. Não se preocupe, nós vamos vencer”. O último tweet de Donald Trump, publicado na madrugada desta quinta-feira, dá o tom do tamanho do buraco em que o presidente americano está metido. No início da noite de ontem, ele já havia postado a palavra TRAIÇÃO em letras maiúsculas.

Trump reagiu a um bombástico e raro artigo anônimo publicado no New York Times por um alto executivo do governo. O autor afirma que ele e um grupo de pessoas estão trabalhando internamente na Casa Branca para sabotar o governo Trump. Em outra reação publicada no Twitter, o presidente americano afirmou que se o autor de fato existe, “o Times, por questão de segurança nacional, deve entregá-lo ao governo de uma vez por todas”.

O oficial afirmou, em seu artigo, que o círculo íntimo de Trump chegou a cogitar invocar a emenda que permite declarar o presidente americano inapto para suas funções, mas acabou abortando a ideia porque isso criaria uma crise institucional.

A pressão tende a se intensificar até terça-feira, quando será publicado o livro Fear: Trump in the White House (Medo: Trump na Casa Branca, em tradução livre), do renomado jornalista Bob Woodward. Trechos já publicados do livro mostram que funcionários do governo têm tomado por conta própria medidas para evitar ações mais radicais de Trump, como colocar o país em guerra, por exemplo. O secretário-geral da Casa Branca, John Kelly, afirma no livro que Trump “é um idiota” e que “é inútil tentar convencê-lo de qualquer coisa”.

A sabotagem interna é mais um capítulo da crise política do governo Trump, que nas últimas semanas vem sendo colocado contra a parede com as apurações de interferência russa nas eleições presidenciais. Ex-assessores fecharam acordo com a Justiça assumindo a autoria de diversos crimes, o que levantou na oposição a pressão para um impeachment.

Trump chegou a afirmar que sua saída seria terrível para o mercado. Com ele no comando, o país cresce 4% ao ano e mantém o desemprego abaixo dos 4%. A dúvida crescente é se esses dados vêm sendo conseguidos por Trump, ou pelos executivos que diligentemente trabalham para evitar que ele sabote seu próprio país. Seria a vitória econômica do “pântano”.