Trump reforça apoio a indicado ao Supremo mesmo após acusação de abuso

Presidente americano disse que o magistrado tem uma "história impecável em todos os sentidos" e "trilhou muito bem seu caminho"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou nesta terça-feira seu apoio ao seu candidato à Suprema Corte, acusado de agressão sexual nos anos 80.

Trump, que rejeitou uma série de alegações de abusos sexuais feitas contra o juiz Brett Kavanaugh, disse em uma coletiva de imprensa na Casa Branca que o magistrado tem uma “história impecável em todos os sentidos” e “trilhou muito bem seu caminho”.

O presidente repetiu seu total apoio às audiências marcadas no comitê de Justiça do Senado, dominado pelos republicanos, para ouvir tanto Kavanaugh quanto sua acusadora, Christine Blasey Ford, de 51 anos.

Em carta enviada ao Comitê, os advogados de Ford afirmam que “uma investigação completa por parte dos agentes da lei assegurará que fatos e testemunhos cruciais sejam avaliados sem partidarismo, e que o Comitê esteja cabalmente informado antes de qualquer audiência ou decisão”.

Ford garante que Kavanaugh e um amigo – ambos bêbados -a encurralaram em um quarto e tentaram tirar sua roupa e tocá-la a força, durante uma festa nos anos 80, quando ela tinha 15 anos e ele, 17.

Mark Judge, a quem Ford citou como testemunha do incidente, se negou categoricamente a depor na Comissão.

“Não me lembro deste suposto incidente (…). Nunca vi Brett agir desta forma como descreve a Dra. Ford”, informou Judge em carta enviada por seus advogados ao Comitê do Senado.

“Não tenho mais informação a oferecer ao Comitê e não desejo falar publicamente sobre os incidentes descritos pela Dra. Ford”.

Os depoimentos do juiz e da mulher estão agendados para segunda-feira, embora a presença de Ford não seja certeza.

Enquanto Trump diz que quer que o escândalo seja totalmente resolvido, ele também deixou clara sua fé em Kavanaugh, de 53 anos, culpando os democratas pelo alvoroço.

“Me sinto muito mal por ele. Este não é um homem que mereça isso”, disse Trump, chamando os oponentes democratas que levantaram a questão no último minuto de “péssimos políticos”, mas “muito bons em obstruir”.

O voto de confiança de Trump em Kavanaugh reforça o que está rapidamente se tornando a mais recente frente de batalha em um país profundamente polarizado antes das eleições parlamentares de novembro.

Mais cedo, Trump tinha rejeitado os pedidos de democratas de uma investigação pela polícia federal americana, o FBI.

“Eu não acho que o FBI deva se envolver porque eles não querem se envolver”, disse Trump.

Escândalo no último minuto

Na véspera, Trump já havia defendido Kavanaugh, mas admitiu que o aval para ele assumir o posto poderá demorar “um pouco”.

O suposto ataque a Ford, hoje uma professora universitária de Psicologia, de 51 anos, teria ocorrido durante uma festa no subúrbio de Washington.

Kavanaugh, cuja confirmação nesta semana parecia certa antes do escândalo, negou as denúncias e disse estar pronto para “refutar” essas afirmações e defender sua honra.

O presidente do comitê de Justiça, Chuck Grassley, afirmou que haverá uma audiência de um dia – na segunda-feira – para incluir apenas os depoimentos de Kavanaugh e Ford, e uma votação dois dias depois.

Enquanto isso, a pressão cresce entre os defensores do movimento #MeToo para que a a reivindicação de Ford seja levada em consideração.

“Qualquer um que se apresente neste momento para estar preparado para testemunhar no Senado dos Estados Unidos contra alguém que está sendo indicado para uma das posições mais poderosas do governo americano, precisa de uma coragem extraordinária”, disse a democrata Kamala Harris, integrante do painel do Senado que avalia a indicação de Kavanaugh.

“O público americano merece conhecer o caráter de alguém que servirá por toda a sua vida na mais alta corte de nosso país.”

A acusação contra Kavanaugh deixou Trump e os republicanos em uma situação difícil, ao precisarem negar a acusação de Ford sem afastar as mulheres eleitoras diante de eleições de meio de mandato nas quais o controle do Congresso está em jogo.