Trump paz e amor

Após o susto da vitória de Donald Trump na madrugada, a quarta-feira foi marcada pela tentativa de republicanos e democratas de construir um discurso de paz. Em seu discurso da vitória, Trump começou dizendo que os americanos devem a Hillary Clinton “um grande débito de gratidão por seus serviços” ao país. Lendo as palavras de um teleprompter, o magnata disse que vai ser presidente de “todos os americanos”, incluindo os que não o apoiaram. “É hora de nos mantermos juntos, como um povo unido”, disse.

O mesmo clima foi seguido por Hillary, que telefonou para Trump reconhecendo a derrota logo após a confirmação de que ele conseguira os 270 votos suficientes no Colégio Eleitoral. “Donald Trump vai ser nosso presidente. Nós devemos a ele uma mente aberta e uma chance para liderar”, afirmou em pronunciamento nesta tarde. 

O presidente Barack Obama também telefonou para Trump após a vitória e convocou uma coletiva assegurando que vai trabalhar para permitir a ele uma boa transição na Casa Branca — lembrando do “profissionalismo” do ex-presidente republicano George W. Bush em seu primeiro mandato, em 2009. “Estamos todos torcendo pelo sucesso dele”, disse. Os dois devem se encontrar nesta quinta-feira. 

A recepção não foi tão amena entre parte do eleitorado, que foi às ruas protestar contra os resultados em estados como Washington, Califórnia e Pensilvânia. Em Nova York, a cantora pop Lady Gaga liderou um protesto na Trump Tower, quartel-general do grupo Trump. 

Enquanto isso, o republicano Paul Ryan, presidente da Câmara e crítico contumaz de Trump, parabenizou-o pela “enorme conquista política” e disse estar “muito animado” para que eles trabalhem juntos — Ryan acenou que um dos primeiros objetivos será derrubar o programa de saúde Obamacare. Não se sabe se ele continuará no cargo no próximo governo.

Um cenário curioso é o fato de que Hillary, ao que parece, garantirá a maioria dos votos gerais do eleitorado. As urnas ainda não foram totalmente apuradas, mas às 19 horas desta tarde (16 horas em Nova York) e com 92% das cédulas contadas, a democrata tinha cerca de 300.000 votos a mais — 47,7% do total, ante 47,5% de Trump. O republicano teve 290 votos no Colégio Eleitoral, ante os 228 da democrata. Os republicanos levaram ainda a maioria na Câmara e no Senado.