Trump e Abe rumo a Mar-a-Lago

Shinzo Abe tem um bom histórico de encontros inusitados. No ano passado, o primeiro ministro japonês se encontrou com o presidente russo Vladimir Putin em Vladivostok, um novo destino de apostas no extremo-leste da Rússia, e em um resort termal em sua cidade natal, Yamaguchi, no Japão. Hoje, Abe chega a destinos mais ocidentais: deve se encontrar com o presidente americano Donald Trump em Washington, de onde irão juntos para o resort de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.

Em Washington, Abe e Putin devem conversar sobre segurança e economia. A visita acontece uma semana depois da primeira empreitada americana no oriente, quando o ministro da defesa, general James Mattis, foi ao Japão e à Coreia do Sul reiterar o compromisso americano de manter tropas na região. Acontece também um dia depois de Trump dar o braço a torcer e telefonar para o chinês Xi Jinping, afirmando que endossa a política de Uma China, após semanas dando pistas no sentido contrário. 

Recentemente, o americano acusou os japoneses de desvalorizar propositadamente o yen em prol de aumentar as exportações, acusação que o governo de Trump já havia feito à Alemanha. Abe traz nas mãos um plano de investimento de 150 bilhões de dólares em infraestrutura, incluindo ferrovias de alta tecnologia.

Depois, no final de semana, os temas devem ser mais amenos no resort de Trump. O americano afirmou que pagará as despesas de Abe. Lá, eles devem jogar uma partida de golfe no sábado. Embora pareça inofensivo, a partida pode dizer muito de Trump e de como ele lê o mundo a sua volta. Aficionado pelo esporte, o presidente já afirmou que jogar golfe é uma ótima maneira de conhecer alguém, melhor do que reuniões e almoços. Será uma oportunidade de ver Donald Trump relaxado. A utilidade da partida para as pretensões econômicas do Japão só o tempo vai mostrar.