Trump, Coreia do Norte e Venezuela devem dominar Assembleia da ONU

A grande reunião anual de líderes mundiais acontecerá em Nova York, nesta semana

O unilateralismo de Donald Trump, as políticas da Coreia da Norte, as guerras na Síria e no Iêmen, as tensões no Oriente Médio e as crises como a venezuelana dominarão neste ano as reuniões dos líderes mundiais durante a realização da Assembleia Geral da ONU na próxima semana.

A grande reunião anual de líderes mundiais acontecerá em Nova York, onde estarão reunidos mais de 120 chefes de Estado e de Governo e centenas de ministros a fim de revisar os temas da agenda internacional.

Trump voltará a monopolizar todos os olhares, após o choque causado há um ano diante do primeiro discurso do líder nas Nações Unidas, quando ameaçou “destruir” a Coreia do Norte e atacou com dureza a Venezuela e o Irã.

Nesta ocasião, espera-se que o presidente americano use um tom muito distinto com Pyonyang, após a histórica cúpula realizada com Kim Jong-un e os elogios que dedicou a um líder, de quem no ano passado tinha zombado.

Após a recente detenção brusca nas conversas entre as duas partes, Washington quer utilizar a Assembleia Geral para voltar a canalizar esse diálogo.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, convidou seu homólogo norte-coreano, Ri Yong-ho, a se reunir aproveitando a presença de ambos em Nova York, embora este ainda não tenha confirmado se aceita o convite.

Diferentemente da Coreia do Norte, o Irã viu a relação com os EUA piorar, após a decisão de Trump de retirar seu país do acordo nuclear selado em 2015 e voltar a impor sanções.

O magnata deve voltar a criticar o governo do Irã em uma reunião do Conselho de Segurança que presidirá na próxima quarta-feira.

O presidente do Irã, Hassan Rohani, que tenta salvar o pacto nuclear com o apoio das potências europeias, também estará em Nova York e, além da relação com os EUA, abordará seguramente as tensões regionais com a Arábia Saudita.

Um grande número de líderes do Oriente Médio estarão na reunião da ONU, com a guerra síria e o futuro da província de Idlib como assuntos chave, mas também com atenção para o conflito iemenita e a questão palestino-israelense.

Enquanto isso, a crise na Venezuela será protagonista com a presença, a priori, do presidente Nicolás Maduro, e com várias reuniões paralelas sobre a mesma.

Em uma dessas reuniões, os chanceleres de Argentina, Colômbia, Chile, Paraguai e Peru deverão tratar sobre o pedido ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para que inicie uma investigação preliminar sobre crimes de contra a humanidade no país.

Além disso, haverá uma reunião do chamado Grupo de Lima e outra sobre a migração em massa de venezuelanos, na qual discursarão o presidente de Colômbia, Iván Duque, e o vice-presidente americano, Mike Pence.

Embora os discursos na Assembleia Geral comecem na terça-feira, desde a primeira hora de segunda-feira os líderes terão em uma carregada agenda.

Nesse dia, Trump irá liderar uma reunião sobre a luta contra as drogas, na qual deve ser adotada uma declaração já apoiada por cerca de 130 países.

Além disso, vários chefes de Estado e de Governo discursarão em uma cúpula sobre a paz organizada para comemorar o centenário do nascimento de Nelson Mandela, cuja imagem ficará imortalizada na ONU com uma estátua que será inaugurada nesse dia.

Em paralelo às sessões da Assembleia, ocorrerão centenas de reuniões sobre diferentes assuntos, desde vários conflitos africanos às armas nucleares, passando pela migração, pelas políticas de desenvolvimento, pelas operações de paz e pelos direitos humanos.

Além disso, os líderes aproveitarão para manter inúmeros contatos bilaterais e reuniões regionais ou de países aliados ao longo de toda a semana.