Trump começa corrida pela reeleição — agora, como favorito

Pleito de 2020 vai mostrar até onde a população americana está disposta a ignorar tropeços políticos de Trump em troca de uma economia que vai bem

Quando o então “outsider” Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos em 2016, o resultado foi visto como completamente fora da curva — com a rival Hillary Clinton tendo mais de 80% de chances de vitória na maioria das estimativas da época. Dois anos e meio depois, a presidência de Trump nesta terça-feira, o republicano vai anunciar em comício na Flórida (um dos estados que o elegeram) sua candidatura à reeleição com grandes chances de nova vitória.

A pouco mais de um ano do pleito, marcado para 8 de novembro de 2020, a economia está a favor de Trump. A taxa de desemprego dos EUA está abaixo de 4% (o chamado “desemprego zero”, que faz inveja aos mais de 12% de desemprego no Brasil), enquanto o Produto Interno Bruto deve crescer 2,5% em 2019, segundo o Banco Mundial (o dobro da zona do euro, por exemplo). O SP&500, principal índice das bolsas americanas, cresceu 28% no governo Trump.

Pelo lado das decisões questionáveis, contudo, Trump foi de separação de crianças e seus pais na fronteira a acusações de envolvimento com a Rússia nas eleições, saída dos EUA do Acordo climático de Paris, brigas diárias com jornalistas, fracassada tentativa de destruir o programa de saúde “Obamacare” (que nem seu próprio partido apoiou no Congresso), uma guerra comercial contra a China e a tentativa de, novamente, impor novas tarifas contra o México. A lista é longa.

Em um país altamente polarizado e com pouca gente mudando de ideia, o presidente é aprovado por uma metade da população e odiado por outra (sua aprovação vem se mantendo em torno de 40%). Pelo lado democrata, os futuros oponentes de Trump ainda não estão definidos. As primárias começam neste ano, com 23 candidatos na disputa até agora e o primeiro debate marcado para o fim de junho. Entre os principais nomes estão Joe Biden (vice nos mandatos do ex-presidente Barack Obama), o senador Bernie Sanders (mais à esquerda e que concorreu em 2016) e a senadora Elizabeth Warren (da mesma corrente mais à esquerda de Sanders).

Se a urna traz algum indício, o Partido Republicano de Trump perdeu no ano passado sua maioria na Câmara nas eleições de meio de mandato (as midterms), mas manteve a do Senado. Contudo, vale lembrar, não é o voto absoluto que conta na corrida presidencial: Trump teve menos votos que Clinton em 2016, mas ganhou em mais estados e em vários dos chamados “estados pêndulo”, aqueles não-fiéis cujo voto muda a depender da eleição.

Como afirmou o conceituado estatístico Nate Silver em seu site 538, qualquer previsão feita agora será um tiro no escuro. Trump decidiu não mexer no que deu certo em 2016: seu slogan de campanha, mais uma vez, será “make America great again”.