Trump ataca pastor e ativista negro

Magnata já havia criticado democrata Elijah Cummings, dizendo que distrito que engloba grande parte da maioria negra de Baltimore está "infestado de ratos"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou nesta segunda-feira (29) o pastor e ativista pelos direitos civis Al Sharpton, após um fim de semana marcado por ataques do presidente a um proeminente legislador negro da cidade de Baltimore.

“Al é um golpista, um agitador”, disse Trump no Twitter, após um tuíte do religioso, anunciando sua intenção de viajar para Baltimore.

“Ele odeia brancos e policiais!”, acrescentou o presidente sobre Sharpton, que foi candidato à indicação presidencial do Partido Democrata em 2004.

No sábado e no domingo, Trump, que busca a reeleição em 2020, criticou o congressista democrata Elijah Cummings, dizendo que o distrito que ele representa, e que engloba grande parte da maioria negra de Baltimore, está “infestado de ratos”.

Trump escreveu sobre Sharpton depois que o pastor tuitou no final do domingo que havia “chegado em DC de Atlanta, em direção a Baltimore”.

“Baltimore, sob a liderança de Elijah Cummings, tem as piores estatísticas criminais do país. 25 anos de conversa, nenhuma ação!”, tuitou Trump.

“Agora, o reverendo Al vai se apresentar para reclamar e protestar. Não fará nada para as pessoas necessitadas. Triste!”, acrescentou o presidente.

Uma histórica cidade portuária de 600.000 habitantes, com bairros ricos, mas também distritos assolados pela pobreza, Baltimore tem uma das taxas de homicídio mais altas do país.

As tiradas de Trump no fim de semana provocaram uma tempestade de críticas, menos de duas semanas depois que a Câmara de Representantes condenou Trump por comentários “racistas” por atacar quatro congressistas democratas pertencentes a minorias étnicas e da ala mais progressista do partido.

“Se os democratas defenderem o ‘Esquadrão’ da esquerda radical e o rei de Baltimore Falido Elijah, será um longo caminho até 2020”, escreveu Trump nesta segunda-feira.

Os comentários de Trump são vistos como uma jogada calculada, mas arriscada, direcionada aos brancos da classe trabalhadora que contribuíram para levá-lo à Casa Branca em 2016, bem como para outros brancos que não decidiram quem apoiar nas eleições do próximo ano.

Sharpton respondeu, acusando Trump de “apelar para a divisão racial”.

“Tem um veneno particular em relação aos negros e às pessoas de cor”, declarou o pastor, ao ser consultado por jornalistas.

“Ataca todo o mundo. Conheço Donald Trump. Não é maduro o suficiente para receber críticas. Não pode evitar isso, é como uma criança: alguém diz algo e reage”, afirmou.

“Trump diz que eu sou um agitador e um golpista. Sim, me agito contra os fanáticos. Se realmente pensasse que sou um golpista, ele iria me querer em seu gabinete”, ironizou.

O prefeito de Baltimore, o democrata negro Bernard “Jack” Young, considerou “completamente inaceitáveis” os comentários de Trump.