A nova polêmica: as contas de Trump

“Se ele mostrar o imposto de renda dele, eu mostro o meu”. Quem disse essa frase foi ninguém menos do que Warren Buffett, o segundo homem mais rico dos Estados Unidos, fundador da Berkshire Hathaway, uma companhia de investimentos avaliada em mais de 350 bilhões de dólares. A frase é uma provocação ao candidato republicano à presidência, Donald Trump, feita na segunda-feira, num comício em Omaha, Nebraska, onde Buffett deu apoio oficial à candidata democrata, Hillary Clinton.

A provocação e o apoio de Buffett são importantes por dois motivos: trazem para o lado de Clinton um dos empresários mais aclamados do mundo e apontam para uma falha na campanha do concorrente. Trump, que estima-se ter uma fortuna de 4,5 bilhões de dólares, construiu sua imagem como empresário de sucesso e como bilionário incorruptível.

Embora não seja obrigada pela lei americana, a divulgação das contas e do imposto de renda tem sido um procedimento padrão nas candidaturas dos últimos 35 anos. Trump se recusa a abrir suas contas, sob a alegação de que suas contas estão passando por uma auditoria. A tarefa é de fato complicada. As Empresas Trump são um conglomerado familiar com dezenas de empreendimentos mais ou menos atrelados uns aos outros e ao bolso de Trump.

Mas a falta de organização provavelmente depõe mais contra o candidato do que a favor, principalmente se levarmos em consideração que ele já declarou falência quatro vezes. Eis o lado inusitado da coisa: em qualquer campanha majoritária, os candidatos fazem questão de parecer mais humildes do que de fato são. Com Trump, é o contrário: suspeita-se que ele não é tão rico quanto propaga. Buffett argumenta que conheceremos melhor o verdadeiro empresário Donald Trump se conhecermos suas contas. Para sua campanha, quanto menos do verdadeiro Trump surgir, melhor.