Trump anuncia que conselheiro da Casa Branca vai deixar o cargo

Don McGahn atuou como conselheiro da Casa Branca desde o início do governo Trump, depois de ter trabalhado na campanha à presidência em 2016

Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira que o advogado principal da Casa Branca, Don McGahn, que exerceu um papel central na defesa do governante na investigação da trama russa, deixará seu cargo no último trimestre deste ano.

McGahn, que começou como advogado da Casa Branca em janeiro de 2017, foi interrogado em várias ocasiões pelo promotor especial da trama russa, Robert Mueller, e seu testemunho pode ser fundamental para determinar se Trump tentou obstruir essa investigação.

“O advogado da Casa Branca, Don McGahn, deixará seu posto neste outono, pouco depois da confirmação (esperamos) do juiz Brett Kavanaugh para o Tribunal Supremo dos Estados Unidos. Trabalhei com Don durante muito tempo e realmente aprecio seu serviço”, escreveu Trump em sua conta no Twitter.

Embora não tenha nada a ver com a saída de McGahn, Trump aproveitou para fazer referência em seu tweet ao processo de confirmação do magistrado Kavanaugh, que para chegar ao alto tribunal deve receber o aval do Senado.

O anúncio de Trump acontece horas depois de o portal “Axios”, citando funcionários da Casa Branca e fontes ligadas ao advogado, revelar que McGahn pretendia abandonar no outono seu posto como principal assessor legal do Executivo.

De acordo com o “Axios”, McGahn quer que seu sucessor seja o veterano advogado Emmet T. Flood, que foi um dos representantes do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) no julgamento político ao qual foi submetido em 1998 no Congresso após mentir sobre sua relação com a estagiária Monica Lewinsky.

Trump contratou Flood em maio deste ano com a intenção de que sua estratégia legal se tornasse mais “agressiva” para responder à investigação de Mueller sobre a trama russa.

Desde maio de 2017, Mueller investiga o alcance da suposta ingerência russa nas eleições de 2016 e se houve algum tipo de coordenação entre o Kremlin e membros da campanha de Trump.

Segundo informou neste mês o jornal “The New York Times”, McGahn esteve cooperando com a investigação de Mueller e, durante os últimos nove meses, foi interrogado em três ocasiões.