Trump, a vítima

Cinco estados americanos realizam prévias para as eleições à Casa Branca nesta terça-feira: Connecticut, Delaware, Maryland, Pensilvânia e Rhode Island. Entre os democratas, a ex-secretária de estado Hillary Clinton é favorita para levar os principais estados em disputa, incluindo a Pensilvânia, terra natal de seu pai, onde estão em jogo metade dos delegados do dia.

Entre os republicanos, o empresário Donald Trump é favorito mesmo após a inusitada aliança anunciada nesta segunda-feira entre seus dois principais adversários, o senador Ted Cruz e o governador de Ohio, John Kasich. O plano prevê que cada um dos candidatos priorize os estados onde é favorito, o que aumentaria as chances de evitar que Trump chegue à convenção do partido com a contagem necessária de delegados.

Em um anúncio, Trump classificou o pacto como um “horrendo ato de desespero” e disse que “os dois estão matematicamente mortos e que esse ato só mostra quão fracos eles e suas campanhas são”.

O tiro de Cruz e Kasich pode sair pela culatra. Para alguns analistas, a aliança foi fechada tarde demais – faltam 12 primárias, ou 25% do total. A união ainda pode reforçar o discurso de Trump de que ele os republicanos têm sido desleais em sua tentativa de evitar que o candidato mais votado de fato concorra à Casa Branca.

Nas últimas duas semanas, enquanto a articulação da cúpula republicana crescia, a aceitação a Trump aumentou. Eis um papel inusitado para o falastrão: o de vítima. Tem dado certo.