Troca de papéis argentinos tem pouca adesão de investidores

Prazo para pequenos investidores trocarem seus títulos antigos pelos novos vence nesta sexta-feira (4/2), mas, até ontem, menos de 30% dos interessados havia aderido

A queda de braço entre os detentores de títulos públicos argentinos e o governo Néstor Kirchner está cada vez mais acirrada. Os investidores resistem à troca dos papéis originais pelos novos, oferecidos com um desconto de até 75% em relação à dívida real da Argentina. Um exemplo dessa resistência é a pequena adesão dos pequenos investidores (aqueles que possuem até 50 000 dólares em títulos) à oferta do governo. Embora o prazo para a adesão desse grupo vença nesta sexta-feira (4/2), apenas 27% do interessados haviam aderido à proposta até ontem.

A porcentagem está aquém do esperado pelo governo argentino. Ao abrir a oferta, em 14 de janeiro, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, havia estimado uma adesão de, pelo menos, 50% dos investidores.

Para pressioná-los, o governo aprovou, nesta quinta-feira (3/2), no Senado, uma lei proibindo a abertura de uma nova oferta de títulos públicos, que venha a substituir a atual. Segundo o jornal argentino La Nación, o objetivo da medida é forçar a troca dos títulos e evitar especulações no mercado. Passando a idéia de que esta é a única oportunidade dos investidores de reaverem parte de seu dinheiro, o governo argentino pretende ampliar a troca.

Ontem, o Comitê Global de Investidores Argentinos, que representa a maioria dos detentores de títulos públicos do país, emitiu uma nota repudiando a lei aprovada pelo Senado. No comunicado, a organização manifestou sua “condenação a essa manobra, que estabelecerá um perigoso precedente para o mercado de bônus soberanos”.