Tribunal francês libera monólogo do humorista Dieudonné

Tribunal autorizou apresentação do polêmico comediante francês Dieudonné, vetado pelo governo por piadas antissemitas

Paris – O Tribunal Administrativo de Nantes autorizou nesta quinta-feira a apresentação nesta noite na mesma cidade do oeste da França do polêmico comediante francês Dieudonné, vetado pelo governo por suas contínuas piadas antissemitas, pelas quais foi condenado sete processos.

A resposta ao recurso apresentado pelo comediante é a primeira decisão judicial depois que o ministro do Interior, Manuel Valls, enviou uma circular aos delegados do governo da França para que impedissem que Dieudonné pudesse desenvolver sua nova turnê, que começará hoje em Nantes.

“Não funcionou” e “essa de hoje é a derrota do senhor Valls”, declarou à imprensa o advogado de Dieudonné, Jacques Verdier, depois de saber a decisão do tribunal, que suspende a proibição de atuar em Nantes ditada pelo delegado do governo.

Segundo o advogado, a decisão se pode recorrer perante o Conselho de Estado, máxima instância administrativa, mas não dará tempo a que a apelação se resolva antes que se levante o pano de fundo do Zénith de Nantes, onde Dieudonné atuará a partir das 20h30 locais (17h30 de Brasília), com 90% das 6.300 cidades da capacidade vendidas.

“Vivemos em uma democracia onde seus princípios são respeitados”, acrescentou Verdier na saída do tribunal, onde ressaltou que os discursos de Dieudonné “nunca têm conteúdos de violência nem mensagens racistas ou antissemitas”.

O comediante, que ultimamente não falou à imprensa diretamente, mas através de seus advogados, dará nesta tarde uma coletiva de imprensa, acrescentou seu representante.

Ele espera, além disso, que os juízes de Orleans e Tours, que analisam recursos semelhantes diante das atuações programadas por Dieudonné nessas cidades francesas, tomem “decisões idênticas” à de Nantes.

Verdier havia baseado sua argumentação na alegação de que proibir as funções de Dieudonné significa um “atentado flagrante à liberdade de expressão” por se tratar de uma “censura” prévia.

Por sua vez, o ministro do Interior entendia que, por se tratar de um comediante condenado definitivamente sete vezes por injúrias racistas, a proibição para evitar seus ataques à “dignidade das pessoas” prevalecia sobre o direito à liberdade de expressão.

A ministra de Cultura, Aurélie Filippetti, indicou antes da decisão que, em caso de revés perante o Tribunal Administrativo, o governo seguiria tentando outros recursos judiciais.

Ao todo, 52% dos franceses se manifesta propício à proibição dos espetáculos, embora 64% acreditem que não é uma medida eficaz para lutar contra o antissemitismo, segundo uma pesquisa elaborada em 7 e 8 de janeiro pela Internet pelo instituto sociológico CSA para o site conservador “Atlantico.fr”.