Todos os problemas de Macri

A Argentina vive um momento de grandes incertezas. Hoje, os chanceleres do Mercosul vão a Buenos Aires participar da última reunião da cúpula em 2016, que deve tratar da participação da Venezuela. O país foi suspenso do bloco no último dia 2 por não cumprir exigências pré-estabelecidas. Em agosto, a Venezuela foi tirada da presidência temporária do bloco, que passa a ser da própria Argentina em janeiro.

Dentro de casa, os argentinos têm dores de cabeça maiores para lidar. O governo do presidente Mauricio Macri chegou ao final do primeiro ano de mandato no sábado 10. Durante o período, foi elogiado por transformar o país em um ambiente mais propício para os negócios e aprovar leis chave para a melhora do cenário econômico do país, como a que deu autorização para parcerias público-privadas — durante seu governo foram realizadas duas aberturas de capital em empresas argentinas, algo que não acontecia desde 2013.

Mas não foi suficiente para reverter a maré econômica. Um terço da população está na miséria, grupos trabalhistas estão na rua contra cortes de emprego e subsídios do governo, e a inflação, que chegou a alcançar 30% no governo de Cristina Kirchner, agora passa dos 40%. Estimativas preveem um encolhimento da economia em 2,2% este ano. A situação no Brasil piora o quadro: somos os maiores importadores de produtos argentinos, mas, lidando com nossa própria recessão, é esperada uma queda de 50% nos volumes de exportações para o Brasil. Lá, como cá, as medidas demoram mais que o esperado para surtir efeito.

Diante do cenário, a aprovação do governo Macri caiu de 71% para 55%, ainda melhor do que a de Kirchner, que girava em torno dos 30% quando deixou o governo. Um relatório do banco BTG Pactual prevê um crescimento de 3,3% do PIB em 2017. Convém a Macri não decepcionar os argentinos mais uma vez. A paciência da população está longe do limite. Mas, como sabemos, chega lá rapidinho.