Título em Wimbledon reabre debate entre China e Taiwan

Após título histórico no campeonato, dupla formada por chinesa e taiuanesa iniciou debates sobre soberania em entrevista coletiva

Pequim – A complicada relação de amor e ódio de China e Taiwan teve um novo capítulo neste mês em um local lugar, as quadras de tênis, depois que uma dupla formada por uma chinesa e uma taiuanesa conseguiu histórico título em Wimbledon.

O apelidado “duo do Estreito” (de Formosa), formado pela chinesa Shuai Peng e a taiuanesa Su-Wei Hsieh, derrotou as australianas Ashleigh Barty e Casey Dellacqua na final. O resultado iniciou debates soberanistas.

A “caixa de Pandora” foi aberta ainda na entrevista coletiva posterior ao jogo, em Londres, em que foi perguntado as jogadoras sobre seus sentimentos após a vitória.

Quando Hsieh começou a responder, dizendo que estava muito orgulhosa de ganhar um título para seu país, Peng a interrompeu: “Sinto muito, mas eu estou aqui, e eu não reconheço que Taiwan seja um país”.

A tenista chinesa deixou assim claro que além da discórdia atualmente vivida pelos governos de China e Taiwan – na guerra civil de 1945 a 1949, causaram a cisão entre a ilha e a parte continental – ainda há um abismo político entre ambas as sociedades, unidas pela cultura chinesa, mas separadas por 64 anos de governo diferente.

Após o alvoroço criado na entrevista coletiva, Peng esclareceu que ela e Hsieh nunca discutiam política e sempre se centravam no esporte, embora o debate tenha continuado nos dias seguintes, tanto na imprensa chinesa e taiuanesa como na internet.

Enquanto a imprensa chinesa – e a taiuanesa filiada ao nacionalista Partido Kuomintang – comemorava a vitória como uma mostra da crescente cooperação entre ambas as partes, os independentistas taiuaneses destacavam sobretudo a importância para a ilha, uma das primeiras em nível internacional.

Uma das principais preocupações entre os torcedores taiuaneses é a possibilidade – bastante provável – de que Hsieh adote a nacionalidade chinesa para conseguir melhores patrocinadores.

A imprensa taiuanesa citou o pai de Hsieh dizendo que uma marca de licor chinesa ofereceu a sua filha US$ 1,6 milhão para se estabelecer na China, o que fez o alarme soar em Taiwan, que teme perder um símbolo nascente de seu esporte.

A preocupação foi tal que até o presidente taiuanês, Ma Jing-Yeou, ofereceu a Hsieh fazer “todo o possível para ajudá-la em sua carreira no tênis”, mantendo a dúvida em aberto.