Tillerson na Rússia: tensão latente

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, chega hoje à Rússia para o encontro bilateral mais tenso do governo Donald Trump. Depois da semana passada, quando os Estados Unidos atacaram o governo sírio de Bashar al-Assad, apoiado pelos russos, as relações entre os dois países está por um fio. O ataque foi uma retaliação de Trump ao uso de armas químicas sob um vilarejo civil na Síria.

Entre os assuntos que rondam o encontro estão, além do futuro da Síria, as denúncias de interferência russa nas eleições de 2016 e o embargo econômico do ocidente sobre a Rússia após a anexação da Crimeia. Na segunda-feira, o Kremlin afastou qualquer possibilidade de encontro entre Tillerson e o presidente Vladimir Putin, que frequentemente se encontrava com ex-secretário de Estado John Kerry, e até mesmo concedeu honrarias a Tillerson, ex-presidente da petroleira Exxon Mobil. O secretário deve se encontrar tão somente com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.

Tillerson deve oferecer aos russos uma escolha difícil: cortar os laços com Assad e recobrar as relações com o Ocidente ou continuar a apoiá-lo e arriscar novos episódios de conflito com os Estados Unidos, que seguem afirmando que podem voltar a interferir na Síria. Tillerson ainda deve negociar com Lavrov a continuidade de uma linha direta entre Rússia e Estados Unidos, para evitar desencontros de tropas em eventuais ataques. Na semana passada, os americanos avisaram aos russos que a retirada das tropas era necessária para o bombardeio.

Em encontro do G-7, grupo dos sete países mais ricos do mundo, realizado ontem na Itália, os Estados Unidos receberam apoio em suas ações. O secretário britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, chegou a dizer que o apoio a Damasco “está intoxicando a reputação da Rússia”. Os russos, com muito em jogo no Oriente Médio, não parecem dispostos a ceder nem um milímetro ao Ocidente. A missão de Tillerson, hoje, é quase impossível.