Los Tres Amigos e o protecionismo

Com o final do mandato presidencial se aproximando, as reuniões internacionais de Barack Obama ganham especial relevância. A de hoje não é diferente. O presidente dos Estados Unidos chega a Ottawa, no Canadá, para encontrar o primeiro ministro canadense, Justin Trudeau, e o presidente do México, Enrique Peña Nieto, numa reunião conhecida como Three Amigos, que discute diretrizes econômicas e políticas da América do Norte.

Diante de uma eleição em que o candidato republicano é Donald Trump, os três países devem destacar a importância da circulação de mercadorias e pessoas. Espera-se que Obama anuncie apoio oficial a Hillary Clinton em âmbito internacional pela primeira vez na campanha presidencial.

Trump, inclusive, já teve seus desentendimentos com Peña Nieto sobre a polêmica proposta de construir um muro entre os Estados Unidos e o México para diminuir o fluxo de imigrantes e o tráfico de drogas. Peña Nieto, como pode se imaginar, não é o maior entusiasta da ideia.

Trudeau ainda não se posicionou sobre Trump, até para evitar desavenças futuras, mas não faltam motivos para estar preocupado com as ideias protecionistas do republicano — o Canadá é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos e as trocas de bens e serviços totalizam 662,7 bilhões de dólares entre os dois países.

A ascenção do protecionismo deve ser tema central do encontro. Além de Trump, afinal, há o Brexit. Trudeau afirmou à imprensa canadense que o voto pela saída intensificou a necessidade de incluir o mercado internacional nas discussões. O Canadá tem 37 bilhões de dólares em trocas comerciais com o México anualmente. Os dois países ainda devem avançar nas tratativas para facilitar as viagens entre o México e o Canadá – passando por cima do muro de Trump.