Tesouro americano dá seis meses para China mudar o câmbio

Em relatório semestral sobre o câmbio, Estados Unidos deixam de acusar os chineses de manipularem sua taxa de câmbio e irritam o Congresso

O Tesouro dos Estados Unidos mudou o tom das críticas à política cambial chinesa em seu relatório semestral enviado ao Congresso. O Tesouro deixou de acusar a China de manipular deliberadamente a taxa de câmbio, mas ressaltou que espera uma mudança substancial de comportamento do yuan (a moeda chinesa) nos próximos seis meses. “O câmbio fixo da China gera uma forte distorção no mercado mundial”, afirma o relatório.

O tom conciliador do texto pode irritar os parlamentares americanos, que estão perdendo a paciência com a postura excessivamente diplomática do governo, segundo o jornal britânico Financial Times. O secretário do Tesouro, John Snow, declarou que os políticos americanos estão cheios de falsos juízos acerca dos chineses, quando tratam do câmbio. “Nós não pedimos pela liberalização imediata do yuan, porque o sistema bancário chinês não está preparado”, diz.

A postura do Executivo contrasta com a do parlamento americano. No início de abril, o Senado aprovou, por 67 votos contra 33, uma emenda que permite ao governo adotar fortes retaliações comerciais contra a China, caso o país não altere sua política de câmbio em seis meses. A proposta foi apresentada pelos senadores Charles Schumer, democrata, e Lindsey Graham, republicano, como reação ao crescente déficit comercial acumulado nas transações com os chineses.

Segundo o Financial Times, o tom ameno do Tesouro americano reflete sua intenção de não ser envolvido pelas pressões protecionistas do Congresso. O relatório divulgado nesta terça-feira (17/5) recorre a uma linguagem mais genérica sobre os desequilíbrios mundiais e evita referir-se claramente às relações entre os Estados Unidos e a China.