Tensão em meio ao Brexit

Um novo capítulo na história da Irlanda do Norte está marcado para hoje. Os norte-irlandeses vão às urnas, pela segunda vez em menos de um ano, para eleger membros da assembleia legislativa, primeiro ministro e vice-primeiro ministro do país. O pleito acontece para resolver uma crise, precipitada pelo Brexit, com alegações de corrupção que ameaçam destruir a frágil paz que existe no país.

As eleições vêm após o vice-primeiro ministro Martin McGuinness, do partido Sinn Fein, ter renunciado ao posto alegando não poder mais trabalhar ao lado da primeira ministra Arlene Foster, do rival Partido Unionista Democrático (DUP). Foster, enquanto era ministra de Finanças do país, supervisionou um plano de incentivos para renovação da estrutura energética, que se tornou um escândalo de 500 milhões de libras. Apesar disso, ela foi eleita com 29,2% dos votos e se recusou a sair do poder.

Embora um deles seja o “vice” primeiro ministro, ambos têm prerrogativas executivas iguais e tomam decisões em conjunto. McGuiness era o representante do Sinn Fein, partido republicano e católico, em contrapartida ao DUP, pró-bretanha e protestante. O modelo de gestão foi adotado em 1998 para solucionar o conflito religioso e político que assolou o país com graves rompantes de violência por quase 50 anos. O condado da Irlanda do Norte é um órgão semi-autônomo com poderes delegados por Londres em termos como saúde, educação e economia local.

As pesquisas mostram que o resultado de hoje trará um espelho das eleições do ano passado, com o DUP e Foster na frente e o Sinn Fein logo atrás, levando a um impasse. Se as feridas não forem curadas, a assembleia poderia ser suspensa e o condado inteiramente governado por Londres novamente, o que pode reacender o conflito entre católicos e protestantes.

A tensão entre os dois partidos é agravada pelo Brexit. Embora a Irlanda do Norte tenha votado para permanecer na Europa, com 55% dos votos, o DUP fez uma forte campanha para deixar o continente. As tensões no condado se somam às da Escócia, que ameaça pedir independência. A primeira ministra britânica Theresa May deve iniciar os processos para sair da União Europeia este mês. As tensões são latentes.