Mulher é presa em Dubai por ter consumido taça de vinho durante o voo

Segundo ONG, sueca viajava com a filha de 4 anos e foi presa após admitir o consumo álcool no voo da Emirates que saiu do Reino Unido

São Paulo – Uma sueca passou três dias presa em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por ter bebido uma taça de vinho durante o voo, que partiu do Reino Unido e era operado pela companhia aérea Emirates. A informação foi divulgada pela organização não governamental Detidos em Dubai (Detained in Dubai), especializada em prestar assistência para pessoas enfrentando problemas jurídicos no país, e repercutida pelo jornal britânico The Guardian.

Ellie Holman, dentista de 44 anos que reside no Reino Unido com o marido e três filhos, viajava na companhia da filha de 4 anos para passar cinco dias visitando amigos. Ao desembarcarem, um oficial da imigração questionou a validade dos vistos e disse que teriam de retornar para Londres imediatamente. Ela começou a filmar o incidente por considerar o comportamento do oficial rude, que então a perguntou sobre consumo de álcool, fato que ela admitiu.

Segundo a ONG, os comportamentos são proibidos no país, algo que Ellie descobriu depois, e foram usados para fundamentar sua prisão. Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, “o consumo de álcool é permitido somente para não-muçulmanos em restaurantes e bares de hotéis internacionais e espaços privados, bem como nas residências particulares (para residentes detentores de licença para aquisição de álcool).”

“Os Emirados mantêm uma imagem de fachada de que o consumo de álcool é legal para visitantes”, disse ao The Guardian a CEO da ONG, Radha Stirling, “é absolutamente ilegal para qualquer turista ter álcool no sangue, mesmo se consumido durante um voo de uma aérea que é de Dubai”, explicou à publicação. Nas redes sociais, Radha questionou a possibilidade de a Emirates ser responsabilizada pelo incidente.

Mãe e filha tiveram seus passaportes confiscados e Ellie disse ter sido proibida de ligar para seu marido, que estava no Reino Unido, e passou por um exame de sangue para comprovar o consumo de álcool. Três dias depois, foram liberadas sob fiança, mas o passaporte da sueca segue apreendido. A filha retornou ao Reino Unido e ela agora aguarda a audiência e corre o risco de passar até um ano presa.