Snowden não quis reunião com diplomatas dos EUA, diz jornal

Snowden crê que ampanha gerada contra ele pelos EUA mostra uma ideia preconcebida sobre sua postura de defensor de direitos humanos, disse advogado

Moscou – O ex-técnico da CIA Edward Snowden não quis se reunir com diplomatas dos Estados Unidos que buscaram um encontro com o fugitivo, afirmou seu advogado russo, Anatoli Kucherena, em entrevista publicada neste sábado pelo jornal ‘Kommersant’.

‘Negociaram comigo (a reunião) também diplomatas americanos. Isso foi dito a Edward, mas ele não quis se reunir com eles. Argumentou que a campanha gerada contra ele pelo Departamento de Estado americano mostra uma ideia preconcebida para com sua postura de defensor de direitos humanos’, declarou Kucherena.

Ao mesmo tempo, o jurista descartou que os novos vazamentos em veículos de imprensa ocidentais internacionais atribuídos a Snowden fossem efetuadas pelo jovem informático desde Rússia.

‘Se algo aparece na imprensa, se baseia nos materiais que (Snowden) enviou aos veículos de comunicação quando estava em Hong Kong’, afirmou.

Perseguido pela Justiça seu país, Snowden obteve refúgio temporário na Rússia a condição de não revelar novos dados sobre a atividade dos serviços de inteligência americanos nem prejudicar de nenhuma maneira os interesses dos Estados Unidos.


Kucherena esclareceu que o técnico, após ficar mais de um mês no terminal de passageiros do aeroporto Sheremetievo, de Moscou, optou finalmente por pedir refúgio à Rússia pela impossibilidade de viajar à América Latina, onde vários países, entre eles Venezuela e Bolívia, lhe tinham oferecido asilo político.

‘O nível da ameaça contra ele continua sendo alto ainda hoje. Na zona de passagem (do aeroporto), estava ciente de que era perseguido por uma uma grande potência, que pode usar todos os meios e métodos para apanhá-lo’, afirmou.

O advogado reiterou que o fugitivo ‘permanece em um lugar seguro’ à espera de poder se reunir com seu pai, que viajará em breve à Rússia.

Snowden, de 30 anos, desembarcou em Moscou no dia 23 de julho, procedente de Hong Kong, fugindo da Justiça americana após ter revelado uma trama de espionagem global dos serviços secretos de seu país.