Sistema britânico de imigração não está preparado para Brexit

De acordo com relatório, atrasos do governo, incertezas e falta de financiamento deixam o Reino Unido despreparado para saída da UE

Londres – Atrasos do governo, incertezas e falta de financiamento deixaram o sistema britânico de fronteiras e imigração despreparado para a saída do Reino Unido da União Europeia, de acordo com um relatório parlamentar sobre o Brexit divulgado nesta quarta-feira.

A falta de clareza quanto às intenções no tocante à imigração está criando ansiedade para os cidadãos da UE no Reino Unido e colocando as autoridades já sobrecarregadas da imigração em uma posição impossível, acrescentou.

“O governo não parece ter noção do desafio burocrático imenso que está enfrentando ou de quanto tempo e recursos precisa para se planejar para o Brexit”, disse o documento.

O relatório do Comitê de Assuntos Internos da Câmara dos Comuns criticou os atrasos na publicação do assim chamado Documento Branco, em que Londres delineia seus planos para a imigração após a separação do bloco.

O gabinete da primeira-ministra britânica, Theresa May, disse estar estudando várias opções para o sistema imigratório pós-Brexit, e que apresentará seus planos iniciais “à medida e quando estiverem prontos”.

Mas o comitê disse que deixar de estabelecer os objetivos para a imigração rapidamente privará o Parlamento e todos os afetados da chance de debater os planos antes de eles serem finalizados.

“Isto é inaceitável. Esperávamos que estas questões fossem respondidas no muito adiado Documento Branco, mas sua publicação foi adiada ainda mais e agora pode não surgir antes do final deste ano”.

May alertou que os cidadãos europeus que chegarem ao seu país após o Brexit no ano que vem podem perder alguns direitos, criando atrito com a UE quanto ao tratamento que receberão durante qualquer período de transição que anteceda a saída britânica do bloco.

Reduzir a imigração foi uma das principais razões para os britânicos votarem a favor da desfiliação da UE em 2016, na esteira de um grande influxo de cidadãos da união, especialmente de países mais pobres do leste da Europa.

“Faltando pouco mais de um ano, o governo ainda é incapaz de delinear detalhes cruciais sobre o registro dos atuais moradores (da UE)”, disse o relatório.

Um fracasso na definição rápida de planos detalhados para o registro de cidadãos estrangeiros e para o período de transição tornará impossível para as autoridades da imigração e das fronteiras fazer seu trabalho devidamente, alertou o relatório.

O governo precisa esclarecer urgentemente se quer verificações adicionais nas fronteiras depois de março de 2019, a data da separação da UE.