Sindicatos da UE convocam ação contra medidas de austeridade

A "jornada de ação e solidariedade" consistirá em "greves, manifestações, passeatas e outras ações" organizadas pelos sindicatos nacionais de todos os Estados-membros

Bruxelas – Os sindicatos da UE convocaram, nesta quarta-feira, uma nova “jornada de ação europeia” contra as medidas de austeridade que serão aplicadas nos Estados-membros no próximo dia 14 de novembro, data em que os sindicatos espanhóis programaram uma greve geral.

A convocação foi decidida pelo Comitê Executivo da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), em reunião realizada em Bruxelas, na qual participaram o secretário-geral da Confederação Sindical da Comissão de Trabalhadores (CCOO) e o atual presidente da CES, Ignacio Fernández Toxo, além do secretário-geral da UGT, Cándido Méndez.

A “jornada de ação e solidariedade” de 14 de novembro consistirá em “greves, manifestações, passeatas e outras ações” organizadas de forma coordenada pelos sindicatos nacionais de todos os Estados-membros, segundo explicou a CES em comunicado.

No marco da jornada europeia, CCOO, UGT, USO, estão convocando uma nova greve geral na Espanha, embora a decisão definitiva deve ser tomada em seus respectivos órgãos executivos.

A predisposição para fazer coincidir uma greve geral com a convocação europeia no 14-N é “bastante clara” entre os sindicatos espanhóis, segundo disse à Agência Efe fontes do CCOO.

As mesmas fontes apontaram que sexta-feira é o dia “chave” para tomar uma decisão a esse respeito, já que nesse dia estarão reunidos os máximos órgãos de direção entre congressos do CCOO (Conselho Confederal) e do UGT (Comitê Confederal).

Neste mesmo dia, será realizada uma reunião prévia da Cúpula Social – criada em 25 de julho e formada por 150 organizações civis e sindicais – que se pronunciará sobre uma possível greve geral.


A “jornada de ação europeia” foi fixada em 14 de novembro, aproveitando a greve geral já convocada em Portugal e, além da Espanha, é “muito possível” que a Grécia organize uma parada brusca das atividades em todos os setores econômicos, segundo fontes já citadas.

Os sindicatos da Itália, Chipre e Malta também se mostraram dispostos a aderir à greve geral.

Com esta nova ação conjunta, os sindicatos europeus pretendem “expressar a forte oposição às medidas de austeridade que estão arrastando a Europa para uma estagnação econômica,a grave recessão e o desmantelamento contínuo do modelo social europeu”, segundo disse a CES.

Estas medidas, “ao invés de restabelecerem a confiança na economia da UE, estão servindo para piorar as desigualdades e aumentar as injustiças”, acrescentou a Confederação Europeia de Sindicatos.

A CES recalcou seu apoio à consolidação de “contas públicas sólidas” nos Estados-membros, mas acrescentou que a recessão “só pode ser detida, se os limites orçamentários relaxarem e os desiquilíbrios forem eliminados”.

Os sindicatos europeus defenderam esta postura antes da cúpula de líderes da UE que será realizada amanhã em Bruxelas, durante um encontro, na terça-feira, entre os interlocutores sociais comunitários e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Duran Barroso.

Entre as prioridades da cúpula “não há soluções nem propostas” para corrigir o estado das contas públicas dos Estados-membros, para apostar pelo crescimento econômico e nem para resolver a grave situação do desemprego juvenil, afirmou Toxo, que participou do encontro como presidente da CES.