Setor de hidrocarbonetos é alvo de guerrilhas colombianas

Os hidrocarbonetos representam mais de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país)

Bogotá – A indústria do petróleo e da mineração na Colômbia se converteu no principal alvo das ações da guerrilha, que a veem como uma fonte de renda e uma vitrine, embora os ataques não ameacem o crescimento deste setor, chave para a economia.

As comunistas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), com 8.000 e 1.500 combatentes, respectivamente, segundo estimativas das autoridades, e com mais de quarenta anos de existência, são as autoras da maioria dos sequestros e sabotagens contra este setor da economia.

Apenas na última semana, o ELN reivindicou o sequestro de cinco funcionários de uma mineradora canadense, entre eles três geólogos estrangeiros, cometido no dia 18 de janeiro no norte do país, e as Farc dinamitaram o oleoduto Trasandino, que transporta petróleo do Equador à Colômbia.

Em outra ação, também avariaram o oleoduto Caño Limón-Coveñas, no departamento de Arauca (fronteiriço com a Venezuela), sem que ocorresse um vazamento de petróleo.

“Isto demonstra que os guerrilheiros estão em um estado de extrema fraqueza. Para atacar as instalações petroleiras, precisam de menos recursos e não se expõem aos mesmos riscos que teriam se enfrentassem o Exército”, disse à AFP Román Ortiz, especialista no conflito colombiano e professor da Universidade dos Andes, de Bogotá.

A segurança também é mais difícil de ser garantida nas áreas de produção, geralmente zonas rurais afastadas e de difícil acesso, onde os rebeldes estão presentes, principalmente.


Em dez anos, os ataques contra oleodutos e poços aumentou de 86 a 151, segundo números oficiais. Em 2000, os sequestros cometidos na indústria petroleira representaram menos de 1% de todos os ocorridos na Colômbia, contra mais de 10% em 2011, com 43 trabalhadores sequestrados.

Em 2012, um total de 21 funcionários do setor foram sequestrados e dois assassinados pelo ELN, principais autoridades dos raptos neste setor (90% do total), enquanto as Farc neste mesmo ano abandonaram oficialmente a prática do sequestro extorsivo.

Para esta guerrilha, “o pagamento de resgates, as ameaças e extorsões representam uma boa renda”, disse à AFP Orlando Hernández, analista de risco da empresa colombiana Consultores Terra, especializada em estudos ambientais e sociais.

As Farc realizam negociações de paz com o governo desde novembro em Cuba, ao mesmo tempo em que prossegue o confronto armado na Colômbia, interrompido apenas em uma trégua unilateral desta guerrilha por dois meses, cujo fim foi marcado no dia 20 de janeiro com o ataque ao oleoduto Trasandino.

Por sua vez, o ELN, embora tenha manifestado sua disposição em negociar, com estas ações está tentando pressionar e, ao mesmo tempo, aumentar as chances de “que se fale deles”, explica Ortiz.

No entanto, segundo este especialista, os ataques, embora tenham custos, “não são suficientes para interromper a produção de petróleo”.


O setor petroleiro e minerador é um dos pilares nos quais o presidente Juan Manuel Santos (centro-direita) centrou o desenvolvimento do país.

Embora tenha desacelerado levemente seu ritmo, a produção média de petróleo em 2012 chegou a 944 mil barris por dia, o que se aproxima da meta de um milhão esperada pelo governo.

Os hidrocarbonetos representam mais de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, enquanto o investimento estrangeiro direto no setor minerador aumentou de 2,1 bilhões de dólares para mais de 10 bilhões em dez anos, segundo números do ministério de Minas e Energia.

Os ataques da guerrilha não frearam a busca de petróleo: em 2012 foi alcançado o recorde de 130 perfurações de novos poços, segundo a Agência Nacional de Hidrocarbonetos.

No entanto, para além do impacto econômico limitado, o custo desta perseguição é grande para o meio ambiente e para a população local. Em 2012, as ações da guerrilha contra o setor provocaram o vazamento de 261 mil barris de petróleo na natureza, de acordo com a Consultores Terra.

Os atentados contra torres transmissoras de energia “também afetam povoados inteiros que ficaram sem luz elétrica por até oito dias, afetando hospitais e estabelecimentos comerciais”, lembra Hernández.