Sete passaram no 1º “filtro” da corrida presidencial da Fifa

O comitê responsável por promover o processo prévio e o pleito, confirmou que os sete apresentaram as candidaturas com o respaldo das cinco federações nacionais

Michel Platini, Gianni Infantino, Jérôme Champagne, Ali Bin Al-Hussein, Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, Tokyo Sexwale e Moussa Bility são os sete nomes confirmados pela Fifa como remanescentes da corrida eleitoral para a presidência da entidade, que terá desfecho em 26 de fevereiro em 2016.

O comitê responsável por promover o processo prévio e o pleito, confirmou que os sete apresentaram as candidaturas com o respaldo das cinco federações nacionais, que era uma das exigências para entrar na corrida, o que Zico, único brasileiro que tentou concorrer, não conseguiu cumprir.

De acordo com a organização das eleições, apenas a candidatura de Michel Platini não será tramitada, pelo menos até o fim da suspensão de 90 dias, imposta pelo Comitê de Ética da Fifa.

Todas as candidaturas ainda serão revisadas pelo Comitê Eleitoral, de acordo ao regulamento das eleições. O artigo 8 deste texto aponta que cada um dos postulantes passará por minuciosa varredura, feita pela Câmara de Investigação do Comitê de Ética, que avaliará a declaração de integridade que precisaram redigir.

Em seguida será elaborado um relatório sobre cada envolvido, mas sem qualquer recomendação ou não pela aprovação da candidatura. Caberá ao Comitê Eleitoral confirmar ou negar que o candidato cumpriu todos os requisitos para participar do processo.

Confira o perfil dos sete homens que desejam comandar a Fifa a partir de 2016:.

– Michel Platini (França, 60 anos).

Presidente da Uefa desde 2007 e vice-presidente da Fifa também desde esse ano.

Foi jogador entre 1973 e 1988, tendo vencido três vezes a Bola de Ouro (1983, 1984 e 1985). Foi técnico da seleção francesa entre 1988 e 1992. Iniciou a carreira de dirigente em 1992, quando foi nomeado co-presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 1998.

Depois disso, virou conselheiro especial do presidente da Fifa, Joseph Blatter, e posteriormente vice-presidente da Federação Francesa de Futebol (2001), vice-presidente e membro dos Comitês Executivos da Uefa (2002 a 2007) e da Fifa (2002), antes de ser eleito presidente da entidade continental pela primeira vez, em 2007, para o primeiro de três mandatos.

Platini foi o primeiro a manifestar interesse em apresentar candidatura, antes de o Comitê de Ética da Fifa suspendê-lo, em 8 de outubro, por 90 dias, com possibilidade de extensão da punição por um período adicional de mais 45 dias.

A pena veio por causa de suspeitas sobre um pagamento de 2 milhões de francos suíços recebido em 2011, por supostos serviços prestados quase uma década antes. O primeiro recurso contra a punição já foi rejeitado, mas o francês deverá ir até a Corte Arbitral do Esporte (CAS).

– Ali Bin Al-Hussein (Jordânia, 39 anos)

Presidente da Federação Jordaniana desde 1999 e fundador da Federação de Futebol da Ásia Ocidental em 2000.

O princípe foi o único rival de Blatter nas últimas eleições realizadas em 29 de maio deste ano, em que se retirou da disputa após primeira votação que teve o suíço com 133 votos, 60 a sua frente, o que forçava um segundo turno.

Filho do rei Hussein e irmão do rei Abdullah, Ali foi o integrante mais jovem do Comitê Executivo da Fifa, do qual não faz mais parte. Em 2012, em nome da Confederação Asiática, liderou uma iniciativa para que a International Board autorizasse o uso do véu (hiyab) no futebol feminino, e iniciou o Projeto de Desenvolvimento de Futebol da Ásia.

– Jérome Champagne (França, 57 anos).

Ex-secretário-geral adjunto da Fifa, tendo trabalhado nesta entidade entre 1999 e 2010.

Tentou se lançar candidato na última eleição da Fifa, mas não chegou a formalizar a intenção, por não ter conseguido aval de cinco federações nacionais.

Fez carreira como diplomata em países como Brasil (de 1995 a 1997), Estados Unidos, Cuba e Omã, trabalhou como colaborador durante sete anos da revista “France Football” e fez parte do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 1998.

No documento de apresentação da candidatura, Champagne garante que seu trabalho na Fifa foi “interrompido”, com a exclusão motivada por “pressões internas e externas”, em 2010.

Gianni Infantino (Itália-Suíça, 45 anos).

Secretário-geral da Uefa desde 2009.

Será o candidato da confederação europeia se Michel Platini não conseguir garantir presença no pleito.

Advogado de profissão, está na entidade continental desde agosto de 2000, quando passou a desenvolver trabalhos relacionados com assuntos jurídicos, comerciais e profissionais. Quatro anos depois, foi nomeado diretor de assuntos legais e licenças de clubes.

Infantino se tornou secretário-geral em outubro de 2009. Atualmente, também é integrante da Comissão de Reformas da Fifa, criada depois do escândalo de corrupção deflagrado em maio deste ano.

– Sheik Salman bin Ebrahim Al-Khalifa (Bahrein, 49 anos).

Membro da família real de Barein, é presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC) desde 2013 e vice-presidente da Fifa desde então.

Foi um dos maiores apoiadores da candidatura do Catar como sede da Copa do Mundo de de 2022. Atualmente, faz parte do Comitê de Finanças e Estratégico da Fifa, após ter sido parte do Comitê Organizador do Mundial disputado no ano passado no Brasil e de presidir a comissão disciplinar do Campeonato Mundial de Clubes, em 2008, no Japão.

A candidatura do sheik foi rejeitada por organizações de defesa dos direitos humanos, que o acusam de envolvimento em crimes contra a humanidade, por colaborar na perseguição de atletas que participaram de manifestações pró-democracia no Bahrein. O dirigente nega as acusações.

– Tokyo Sexwale (África do Sul, 62 anos).

Empresário, antigo ativista contra a política de segregação racial e prisioneiro em Robben Island durante 13 anos, junto com Nelson Mandela no período do “apartheid” na África do Sul.

Foi ministro da Habitação do governo de Jacob Zuma, integrante do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2010 e atualmente é assessor da Fifa contra o racismo, além de ter conduzido as conversas de conciliação entre as federações de Israel e Palestina.

– Moussa Bility (Libéria, 48 anos).

Presidente da Federação de Futebol da Libéria desde 2010 e empresário que fez fortuna no mercado do petróleo e o cimento.

Em 2013, foi suspenso durante seis meses pela Confederação Africana (CAF), por estar em posse de documentos confidenciais da entidade.