Serviços secretos falam de risco de atentados na Europa

O documento afirma que "cresce a possibilidade para novos ataques como os de Paris"

Roma – Os serviços secretos italianos advertiram que ainda é “elevado” o risco de novos atentados na Europa por parte dos jihadistas, segundo o relatório que periodicamente é entregue ao parlamento do país e que foi publicado nesta quarta-feira pelos meios de comunicação locais.

“Se mantém elevado o perigo de novas ações em território europeu pelas mãos de emissários, enviados, foreign fighter (combatentes estrangeiros) ou militantes já presentes na Europa, que receberam ordens e inspiração de outras pessoas no exterior “, indica o relatório.

O documento afirma que “cresce a possibilidade para novos ataques como os de Paris, mas também formas de coordenação horizontal entre microcélulas ou ações individuais pouco planificadas e portanto imprevisíveis”.

Entre os alvos, os serviços de inteligência italianos advertem que Itália e o Vaticano “estão cada vez mais expostos” ao serem um potencial “alvo político, simbólico e religioso”, sobretudo em concomitância com a celebração do Ano Santo.

O documento aconselha uma maior atenção ao “proselitismo na prisão”, assim como também “que seja avaliada com atenção a difusão da ideologia jihadista nos circuitos radicais de internet na Itália” pois os usuários costumam ser “muito jovens e facilmente podem ser impregnados por estas opiniões ou pela influência de figuras carismáticas”.

O relatório também alerta sobre a presença ainda perigosa do grupo terrorista da Al Qaeda que pode intervir “em contraposição” ao Daesh (Estados Islâmico por sua sigla em árabe).

O texto ressalta a importância e difusão cada vez maior da presença de mulheres europeias que se unem a milícias da jihad no que em alguns casos denominam “casamento para a jihad”.

O documento afirma sobre a existência de casos de mulheres encarregadas da atividade de proselitismo e de recrutamento, sobretudo através de internet, e da logística como o envio de dinheiro.

Com relação ao “risco de infiltrações de terroristas” através da chegada de imigrantes desde o norte da África, os serviços de inteligência italianos “não encontram provas específicas” disso, enquanto advertem sobre a “vulnerabilidade de possíveis entradas pela rota dos Bálcãs”.