Senado dos EUA vota na terça polêmico programa da NSA

O Senado americano prevê votar amanhã o projeto que permite prosseguir com a coleta de dados de telefonemas pela NSA

Washington – O Senado dos Estados Unidos prevê votar na terça-feira o projeto de lei que permite prosseguir com a coleta de dados de telefonemas por parte da Agência de Segurança Nacional (NSA), anunciou nesta segunda o líder da maioria republicana, Mitch McConnell.

A NSA interrompeu a coleta de dados – hora, duração, número e chamadas – a partir das 04H01 GMT (01H01 Brasília) desta segunda-feira, após expirar o “Patriot Act”, a lei antiterrorista que previa este dispositivo de segurança.

“Temos que trabalhar para consertar isto”, disse McConnell.

O projeto de lei analisado pelo Senado permite restabelecer a coleta legal de dados telefônicos durante seis meses, com a responsabilidade de armazenar estes dados passando às operadoras de telefonia.

A reforma, chamada de “Freedom Act”, já foi aprovada pela Câmara de Representantes, com republicanos e democratas unidos no desejo de controlar a coleta de dados por parte da NSA envolvendo os telefonemas de milhões de cidadãos americanos sem qualquer envolvimento com o terrorismo.

Manter a segurança

O chefe da CIA, John Brennan, advertiu no domingo que permitir o vencimento dos programas de vigilância incluídos na Lei Patriótica (Patriot Act) poderia implicar em um aumento das ameaças terroristas.

“Isto é algo que não podemos nos permitir neste momento”, disse Brennan sobre a expiração da norma.

“Porque se olharmos para os horrendos ataques terroristas e a violência que têm lugar hoje no mundo, precisamos manter a segurança no nosso país e nossos oceanos não nos mantêm mais seguros da forma como faziam um século atrás”, afirmou ao canal CBS.

O presidente Barack Obama exigiu que o Senado vote “rapidamente” a reforma do programa de coleta de dados de ligações telefônicas da NSA, e advertiu contra as consequências de não fazê-lo.

“Não quero que (…) enfrentemos uma situação em que teríamos podido impedir um ataque terrorista ou deter alguém perigoso e não o tenhamos feito simplesmente devido a uma inação do Senado”, disse.

“A partir desta noite, os funcionários da NSA que consultavam a base de dados (sobre as ligações telefônica) não poderão mais fazê-lo, e isto graças ao senador Rand Paul”, afirmou à AFP em tom furioso o senador Richard Burr, presidente da Comissão de Inteligência do Senado americano.

A Casa Branca já havia alertado durante a semana que todos os servidores da NSA que coletavam metadados das comunicações telefônicas dos americanos deixariam de funcionar às 00H01, caso o Senado não prorrogasse a autorização.

Texto atualizado às 21h41