Senado dos EUA desbloqueia processo de nomeação de Hagel

Com 71 votos a favor e 27 contra, os democratas obtiveram os 60 votos mínimos necessários para impedir o bloqueio e concluir o debate sobre sua nomeação

Washington – O Senado dos EUA aprovou nesta terça-feira continuar com o processo de nomeação do ex-senador republicano Chuck Hagel como secretário de Defesa, bloqueado pelos republicanos, e votará ainda hoje sua confirmação no plenário da câmara alta.

Com 71 votos a favor e 27 contra, os democratas obtiveram os 60 votos mínimos necessários para impedir o bloqueio e concluir o debate sobre sua nomeação que agora passará ao plenário do Senado, que votará nesta mesma tarde, às 16h30 locais (18h30).

Hagel foi nomeado pelo presidente, Barack Obama, no dia 7 de janeiro, para substituir o secretário de Defesa, Leon Panetta, que está se aposentando, mas as ressalvas de seus antigos companheiros de partido durante o processo atrasaram sua nomeação.

Essa era a segunda vez que o Senado votava para acabar com o debate, depois da audiência de nomeação na qual compareceu Hagel no final de janeiro, e dar passagem ao voto definitivo.

Após a rejeição republicana no dia 14, o líder da maioria democrata Harry Reid introduziu uma moção para deixar o processo aberto e voltar a submetê-lo a voto.

Os republicanos utilizaram um método de obstrução parlamentar que consiste em prolongar artificialmente o debate para impedir que uma moção seja submetida a voto.

A maioria simples da câmara alta (51 de 100 membros) não era suficiente para suspender o debate, era requerida uma maioria de 60 senadores, que finalmente conseguiram.


Uma vez passado este trâmite espera-se que Hagel, veterano da Guerra do Vietnã, seja confirmado sem dificuldade no plenário do Senado, onde os democratas têm maioria, já que só requereria uma maioria simples.

Entre os críticos de Hagel e que, de fato, bloquearam o voto de procedimento há algumas semanas, estão os senadores republicanos pelo Arizona, John McCain, e pelo Maine, Susan Collins, por considerar insuficientes suas explicações sobre suas posturas em relação a assuntos como Israel e as ambições nucleares do Irã.

McCain lhe reprovou, além disso, durante as audiências sua oposição à estratégia do ex-presidente republicano George Bush em 2007 de aumentar o número de tropas no Iraque.

Em 21 de fevereiro, 15 senadores republicanos pediram a Obama que retirasse a indicação de Hagel ao insistir em que este não contava com apoio bipartidário na câmara alta.

Se for confirmado, Hagel assumirá as rédeas do Pentágono em um momento em que o governo de Obama concentra parte de sua política externa na segurança na Ásia, a retirada das tropas no Afeganistão para finais de 2014, e a ameaça nuclear que supõem países como o Irã e Coreia do Norte.

Hagel também enfrentará grandes batalhas políticas diante os iminentes cortes maciços por cerca de US$ 85 bilhões que sofreriam o Pentágono e o resto das agências federais a partir da próxima sexta-feira se o Congresso não alcança um acordo fiscal.

Sob os iminentes cortes nos gastos públicos, o Pentágono enfrentaria cortes de US$ 45 bilhões no ano fiscal em curso, e um total de US$ 1 trilhão na próxima década.

O próximo ministro da Defesa também teria outras batalhas políticas, levando em conta que os fundos para a maioria das operações federais se esgotam em 27 de março, e que também se aproxima o debate sobre o orçamento para o ano fiscal de 2014.