Sem governo formado, parlamento toma posse em Israel

Se o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não conseguir formar um novo governo nos próximos vinte dias, país poderá convocar a terceira votação do ano

Israel empossa nesta quinta-feira 3 os parlamentares eleitos na eleição do último dia 17 de setembro. Este será o 22º parlamento do país (chamado de Knesset) e o segundo a tomar posse em 2019. Isso porque depois da eleição de abril, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não conseguiu formar uma coalizão de governo e precisou convocar uma nova votação, o que pode acontecer novamente.

Nesse segundo pleito do ano, só oito novos parlamentares foram eleitos e nove políticos de outras legislaturas conseguiram voltar à Casa, o que significa que 103 membros dos 120 do Parlamento serão empossados pela segunda vez no ano.

A cerimônia segue a tradição. Os parlamentares eleitos chegam durante a manhã, tiram fotos, e, durante a tarde, prestam o juramento de compromisso com o estado de Israel na presença do presidente Reuven Rivlin. A principal diferença entre o evento de hoje e o de abril é que não haverá, na sequência, a votação para confirmar qual parlamentar presidirá o 22º Knesset. Em vez de confirmar o quarto mandato de Yuli Edelstein no posto, a votação será adiada para depois que o novo governo tomar posse, em data ainda incerta.

O destino do governo de Israel é desconhecido. No último dia 25, o presidente do país voltou a apostar em Netanyahu para formar um novo governo, apesar de seu resultado fraco nas urnas. O primeiro-ministro tem seis semanas para conseguir assegurar uma maioria de pelo menos 61 assentos no Parlamento. Atualmente, sua coalizão tem 55.

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Os israelenses estão pouco crédulos de que ele conseguirá formar um governo agora, já que há cinco meses, em cenário mais favorável, não foi capaz de fazê-lo. O presidente Rivlin reconhece que a situação política é difícil, mas se justificou dizendo que as chances de Netanyahu conseguir o número de assentos necessário eram melhores, “no momento”, que as de seu adversário Benny Gantz, antigo chefe militar do partido Azul e Branco, que conseguiu apoio de 54 parlamentares.

Para completar o quadro político difícil, na última quarta-feira 2, começaram as audiências preliminares de três casos em que o primeiro-ministro é acusado de corrupção. Netanyahu nega ter cometido qualquer crime e se diz alvo de uma caçada orquestrada pela mídia. Na manhã de ontem os advogados dele se encontraram com o procurador-geral do país para tentar convencê-lo a retirar algumas das acusações. As audiências estão previstas para durar quatro dias, até o começo da próxima semana.

Netanyahu pode ser formalmente acusado por suborno, fraude e quebra de confiança. Em dos casos, há suspeitas de que o primeiro-ministro tenha aceitado centenas de milhares de dólares em presentes de amigos bilionários em troca de favores políticos. No segundo, suspeita-se de que ele tenha feito um conluio com o maior jornal do país, Yedioth Ahronoth, para prejudicar a concorrência em troca de uma cobertura favorável. No terceiro caso, ele é acusado de fornecer subsídios e vantagens para a empresa de telecomunicação Bezeq em troca de cobertura positiva em um site de mídia do grupo.

As audiências podem dificultar que o político consiga um acordo com outros partidos para formar uma coalizão. Se estourar o prazo novamente, Gantz pode receber o direito de tentar formar um governo ou uma terceira eleição poderá ser convocada em Israel. Enquanto isso, é mais seguro que os parlamentares não se apeguem a seus cargos.