Seixas Corrêa sai da disputa pela direção-geral da OMC

Diplomata brasileiro reunia apoios importantes, como da China e da Índia, mas<SPAN>;n<SPAN><SPAN>ão em número suficiente</SPAN></SPAN></SPAN>. "Não há norma na OMC que estabeleça que o voto chinês vale dez ou 30 votos de nações africanas", diz Rubens Ricu

Em um processo sem regras claras, o conselho da Organização Mundial do Comércio (OMC) considerou o brasileiro Luiz Felipe de Seixas Corrêa como o candidato à diretoria-geral da organização com menos condições de ser eleito. Pela praxe diplomática, o candidato nessas condições retira-se voluntariamente do processo.

“Na OMC, não se chega nunca à votação, há uma série de consultas até que se alcance consenso”, diz o embaixador Rubens Ricupero, ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). O problema é que tudo depende da palavra do conselho da OMC, já que não há ponderação de apoios (Leia reportagem sobre as implicações dessa metodologia decisória).

“Seixas Corrêa reuniu um número expressivo de apoios importantes, como da China e da Índia, mas não em quantidade suficiente”, diz o embaixador Ricupero, hoje diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). “Não há norma na OMC que estabeleça que a preferência chinesa vale dez ou 30 votos de nações africanas.” Para ele, eram esperadas dificuldades para a candidatura brasileira por ter sido lançada tardiamente.

O candidato que está reunindo o maior número de apoios formais nessa fase inicial de consultas é o africano Jayen Cuttaree, das Ilhas Maurício, país que depende de cotas da União Européia para escoar suas exportações de açúcar. Mas, para Ricupero, a dianteira não indica maiores chances de vitória. “Por enquanto o maior beneficiado é Pascal Lamy [ex-comissário europeu de comércio]”, diz o diplomata.

Em sua avaliação, o que prejudicava Lamy era a tese de que esta é a hora de um cidadão de país em desenvolvimento dirigir a OMC, posição defendida até mesmo pelos Estados Unidos. Mas, como há três candidaturas de países periféricos — além de Corrêa e Cuttaree concorre o uruguaio Carlos Pérez del Castillo –, a divisão de forças embaralha um processo que poderia ser tranqüilo, abrindo caminho para a condução do candidato francês ao posto.

Com as chances fragilizadas, os países em desenvolvimento poderão testemunhar os Estados Unidos apoiando Lamy, em retribuição à docilidade européia ante a indicação de Paul Wolfowitz, ex-subsecretário de Defesa do presidente americano George W. Bush, para a presidência do Banco Mundial. “A incógnita é para que lado vai pender a diplomacia americana”, afirma Ricupero.