Segundo debate: vencer importa

Não se ganha uma eleição apenas com o debate, mas há certeza que se perde uma por causa de uma performance ruim na TV. No domingo acontece o segundo debate entre os candidatos e, depois do bom desempenho da democrata Hillary Clinton no primeiro confronto, o republicano Donald Trump precisa da vitória. Mas joga contra o bilionário os fatos mais recentes: a denúncia de que usou de uma manobra fiscal para deixar de pagar impostos por 20 anos e o fato de ter feito negócios com um banco do Irã considerado como uma organização terrorista pelo governo americano.

Para o primeiro debate, Trump negou se preparar. O candidato disse que apenas assistiu a alguns vídeos de Clinton, que mostravam seus melhores e piores momentos em debates, procurando por pontos fracos. Quando disse que ao em vez de se preparar viajou pelo país procurando saber os problemas da nação, Trump foi rebatido exemplarmente por Hillary. Ela afirmou que não só se prepara para os debates como também para a presidência. A repercussão desse momento foi tamanha que Trump mudou de opinião. Ele está agora sendo ajudado por outros republicanos, como o governador de Nova Jersey Chris Christie. Especula-se que até Nigel Farage, ex-líder do partido UKIP e defensor do Brexit, esteja o ajudando, embora não haja confirmação oficial disso.

O que está em jogo na vitória vai além de um desempenho melhor nas intenções de voto. Este ano, acontecem também as eleições para o Congresso e Senado americanos, atualmente dominados pelo Partido Republicano. Com Trump deslizando nas pesquisas — Hillary atualmente tem 48.4% das intenções de voto, ante 41,8% de do republicano —, principalmente em estados-chave, o partido tem medo que o desempenho dele possa influenciar eleitores a migrarem para legisladores democratas. Segundo o site de estatísticas FiveThirtyEight, a chance dos democratas vencerem o Senado já chega a 57,3%. Para Trump não outra saída no debate: é vencer ou vencer.