Rússia tem lista de políticos proibidos de entrar no país

O governo emitiu uma lista de políticos europeus que não podem mais entrar em território russo, uma resposta às sanções pelo conflito ucraniano

Moscou emitiu uma lista de personalidades políticas europeias que não podem mais entrar em território russo, revelou nesta sexta-feira o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, evocando uma resposta às sanções europeias que se seguiram à anexação da Crimeia e ao conflito no leste da Ucrânia.

“A Rússia enviou ontem a várias embaixadas europeias uma lista de pessoas que não podem entrar no território russo”, disse o primeiro-ministro em uma coletiva de imprensa, acrescentando que três deputados holandeses estão nessa relação.

A lista de Moscou, que incluiria entre 80 e 90 nomes, foi divulgada em resposta às sanções e às proibições de entrada no território da UE pronunciadas em relação à Rússia após a anexação, em março de 2014, da Crimeia e por seu papel na crise ucraniana, de acordo com Mark Rutte.

Um porta-voz da diplomacia da UE assegurou à AFP que a Rússia rejeitou vários políticos europeus nos últimos meses, mas se recusou a fornecer uma lista de pessoas visadas.

“Tomamos nota da decisão das autoridades russas de compartilhar essa lista”, indicou a porta-voz em um e-mail, acrescentando: “nós não temos nenhuma outra informação sobre a base jurídica, critérios, ou processo”.

O líder do grupo liberal no Parlamento Europeu e ex-primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt, está na lista, indicou seu porta-voz Jeroen Reijnen.

“Verhofstadt não pode entrar na Rússia. Ele está na lista negra com cerca de 80 pessoas”, disse ele.

Rutte afirmou, por sua vez, que o governo holandês “condena” a decisão e “irá informar Moscou, em termos inequívocos”.

A lista russa “não se baseia no Direito Internacional, não é transparente e é impossível contestá-la”, lamentou Mark Rutte.

O atual primeiro-ministro belga, Charles Michel, e seu ministro das Relações Exteriores, Didier Reynders, pediram nesta sexta às autoridades russas que reconsiderem a proibição, informou a agência de notícias Belga.

“Peço às autoridades russas que revejam essa decisão. Questionamos com firmeza essa decisão do governo russo”, declarou o primeiro-ministro belga, de acordo com seu porta-voz citado pela agência.

Na última segunda-feira, o governo alemão considerou inaceitável que o parlamentar alemão Karl-Georg Wellmann, que tem fortes laços com a Ucrânia, tenha tido sua entrada na Rússia rejeitada no domingo.

Da mesma coligação conservadora da chanceler Angela Merkel – União Democrata Cristã (CDU, em alemão) e União Social Cristã (CSU) -, Wellmann preside o grupo de amizade parlamentar germano-ucraniana no Bundestag.

O próprio Wellmann contou a vários jornais alemães ter sido impedido de entrar na Rússia, ao desembarcar no aeroporto de Moscou. Ele havia sido convidado a viajar para a capital russa para ter reuniões políticas.

Wellmann foi obrigado pelas autoridades russas a tomar o avião de volta para Berlim e foi comunicado da proibição de entrar na Rússia até 2019.