Rússia nega violação do espaço aéreo japonês

Segundo autoridade russa, os voos dos aviões militares do país cumprem com as normas internacionais de voo "sem violar os espaços aéreos de outros Estados"

Moscou – O Ministério da Defesa da Rússia negou nesta quinta-feira que seus caças tenham violado o espaço aéreo japonês na ilha de Hokkaido, como denunciaram as autoridades nipônicas, que apresentaram uma queixa formal a Moscou.

“Todos os voos na região são estritamente regulados pelo comando unificado e são realizados sob a supervisão dos órgãos de controle do transporte aéreo”, afirmou Aleksandr Gordeev, porta-voz da circunscrição militar oriental da Rússia.

A fonte acrescentou que os voos dos aviões militares russos cumprem com as normas internacionais de voo “sem violar os espaços aéreos de outros Estados”, segundo as agências locais.

“A aviação da região realizou voos previstos sobre as águas do Mar do Japão. Na área das Ilhas Curilas são efetuadas manobras das forças da circunscrição militar oriental”, acrescentou.

Gordeev disse que nos exercícios navais participam caças e navios da frota do Pacífico.

Segundo a agência oficial japonesa “Kyodo”, dois caças russos sobrevoaram hoje o espaço aéreo japonês, o que provocou uma ordem de Tóquio para afastar os dois aviões militares, além de uma queixa formal.


O sobrevoo, que não durou nem um minuto, representa o primeiro de uma aeronave russa em território japonês desde fevereiro de 2008.

A entrada das aeronaves russas aconteceu minutos depois que o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, se comprometeu publicamente em promover um diálogo com a Rússia para resolver a disputa territorial que ambas as potências mantêm no norte japonês sobre as Ilhas Curilas, em poder russo desde a Segunda Guerra Mundial.

As tensões bilaterais se agravaram em novembro de 2010, quando o então presidente russo e atual primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, realizou uma visita oficial à ilha de Kunashiri, uma das quatro reivindicadas pelo Japão.

Em seguida, o Kremlin anunciou que a Rússia aumentaria sua presença e desdobraria armamento moderno nas Curilas, ricas em pesca e recursos minerais.

Medvedev efetuou uma segunda visita ao arquipélago em julho de 2012, já como chefe de governo, o que provocou um protesto formal por parte do Japão.