Rússia mantém embargo à exportação de carne do Brasil

Visita oficial do presidente russo Vladimir Putin ao país não foi suficiente para suspender a proibição

A visita oficial do presidente russo Vladimir Putin ao Brasil não resolveu um dos principais impasses entre os dois países a suspensão do embargo da Rússia à carne brasileira. A proibição foi determinada em setembro, quando se detectou um foco de febre aftosa no Amazonas (estado que não exporta carnes para os russos). O empenho de Putin em tratar da questão limitou-se a uma menção do problema na declaração conjunta divulgada após o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tarde desta segunda-feira (22/11).

Na declaração, os dois países destacam a necessidade de “encontrar soluções mutuamente aceitáveis para problemas relacionados ao fornecimento de produtos cárneos brasileiros ao mercado russo”. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano, afirmou hoje que o Brasil não pode impor um prazo para que os russos revejam o embargo.

Tadano informou ainda que a missão russa que está avaliando as condições fitossanitárias brasileiras seguirá amanhã para o Rio de Janeiro, Manaus e Recife. No país desde a semana passada, a equipe é chefiada pelo diretor do serviço federal de supervisão fitossanitária, Sergei Dankvert.

A pressão dos empresários para que Lula reivindicasse maiores cotas de exportação para a carne brasileira também não surtiu efeito. Segundo Tadano, o país está negociando com a Rússia maior acesso ao seu mercado, mas não há informações sobre as cotas de exportação para 2005. Na declaração conjunta de Lula e Putin, os presidentes limitaram-se a assinalar “a importância de dar continuidade ao desenvolvimento da cooperação bilateral do agronegócio”.

Comércio bilateral

Ao receber Putin no Palácio do Planalto, Lula declarou que o comércio bilateral entre os dois países deve superar 2 bilhões de dólares neste ano, com saldo positivo para o Brasil (veja reportagem de EXAME sobre a economia russa). Entre janeiro e setembro, as empresas brasileiras exportaram 1,16 bilhão para a Rússia e importaram 575 milhões. Os diversos tipos de carne (bovina, suína, aves) são o principal item da pauta brasileira de exportação para os russos (45% do total), seguido pelo açúcar (40%).

Durante o encontro, foram assinados nove acordos de cooperação entre os dois países. Um deles trata da cooperação para o desenvolvimento de um veículo lançador de satélites. Outro foi fechado entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco de Comércio Exterior da Rússia para fomento às transações comerciais bilaterais.

Também foi assinado um acordo para a cooperação na transferência de tecnologia de exploração e comercialização de gás natural, envolvendo a estatal russa Gazzprom. Segundo a ministra de Minas e Energia do Brasil, Dilma Rousseff, “a Gazzprom tem a maturidade que nos falta, porque nosso mercado é recente”.

Lula também expressou o apoio brasileiro à reivindicação russa de ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC). “O ingresso da Rússia na OMC, que conta com o pleno endosso do Brasil, também nos ajudará a forjar um sistema internacional de comércio mais eqüitativo”, afirmou Lula.