Rússia impede companhias estrangeiras de comprar ativos estratégicos

<SPAN><EM>Em reportagem, o jornal britânico Financial Times qualifica a decisão como "a mais explícita manifestação da política nacionalista do presidente Vladimir Putin"</EM></SPAN>

A Rússia vai barrar empresas de capital estrangeiro dispostas a fazer ofertas pelo controle das mais lucrativas reservas de petróleo e de metais do país. A determinação comunicada pelo ministro de Recursos Naturais é válida para 2005 e, entre outras conseqüências, impede que empresas ocidentais como a ExxonMobil e a ChevronTexaco, desenvolvam novas reservas de petróleo em território russo. O Financial Times desta sexta-feira (11/2) qualifica a decisão como “a mais explícita manifestação da política nacionalista do presidente Vladimir Putin” e elemento de uma tendência cada vez mais clara de retomada do controle estatal sobre áreas estratégicas da economia (leia reportagem de EXAME sobre o peso da corrupção na Rússia).

Para que possa fazer oferta pelo controle de ativos considerados estratégicos, 51% do capital da companhia interessada deverá estar em mãos de cidadãos russos. Outra empresa que terá seus planos emperrados por conta da canetada da burocracia é a pioneira TNK-BP, companhia de petróleo com 50% de capital britânico e 50% russo.

Poucos dias atrás, afirma o Financial Times, membros do governo deram a entender que a Siemens pode não receber permissão para adquirir a Power Machines, outra empresa russa rotulada como ativo estratégico. Além de campos de petróleo, ficam fora do alcance ocidental um dos maiores depósitos de ouro do país. Os chineses, por sua vez, perdem acesso a cobiçadas minas de cobre.

Um funcionário russo ouvido pelo jornal britânico defende a medida, acusando as companhias estrangeiras de acumular reservas simplesmente para aumentar seu valor de mercado, adiando a produção efetiva.