Rússia pede que EUA não deixem acordo nuclear com o Irã

O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia pediu que os EUA evitem passos em falso e que mantenham o acordo nuclear do Irã

Moscou – A Rússia pediu nesta terça-feira que os Estados Unidos não deixem o acordo nuclear com o Irã e anunciou que considera digna de avaliação uma proposta da França sobre a possibilidade de um novo pacto com o país.

“Pedimos que os EUA evitem passos em falso e não torpedeiem este acordo”, disse o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Riabkov, a veículos da imprensa local.

Riabkov avalia que, embora seja um fato que os EUA discordam do acordo, o autêntico objetivo do pacto é denunciar o desenvolvimento de um programa nuclear secreto por parte do Irã.

“Sob nosso ponto de vista, essas críticas são determinadas por posturas políticas e o desejo de reforçar a pressão sobre Teerã. Não têm nada a ver com o programa nuclear iraniano”, afirmou.

“De um ponto de vista profissional e não político está claro que o Irã não se dedica a esse tipo de projeto. Portanto, não pode haver esse tipo de crítica. Agora não há motivos para pensar que o Irã está em processo de fabricar uma bomba”, disse o vice-chanceler.

Riabkov também afirmou que, no que se refere à política regional, o diálogo com o Irã já está em andamento e negou que as pressões possam fazer com que o país opte por “concessões unilaterais”.

Além disso, o vice-ministro russo alertou que a Coreia do Norte levará em consideração a mudança de postura dos EUA em relação ao acordo nuclear do Irã na hora de negociar o tema com os americanos.

As potências europeias que assinaram o acordo com o Irã criticam a postura americana e apoiam uma alternativa construída pela França e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

“Recebemos da parte francesa informação sobre o que eles realmente propõem. Trata-se de elaborar um novo acordo que permita regular os problemas relacionados com o comportamento do Irã. Essa proposta merece ser considerada”, afirmou Riabkov.

“Insisto, não podemos romper aquilo que funciona”, completou.

O vice-ministro viajará na quinta-feira a Teerã para manter consultas sobre a crise provocada pelos planos do presidente dos EUA, Donald Trump, de retirar o país do acordo assinado em 2015.