Rússia entrega controle da população de Aleppo à Turquia

A província de Tel Refat dominada por milícias curdo-sírias foi recuperada pelo exército russo, mas passou a ser controlada por tropas turcas

Beirute – A Rússia entregou nesta terça-feira às forças da Turquia e às facções rebeldes sírias aliadas do regime turco o controle da população de Tel Refat, na província de Aleppo, no norte da Síria, que anteriormente estava nas mãos das milícias curdo-sírias, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

A fonte explicou que foram as próprias tropas russas posicionadas em Tel Refat que entregaram o domínio da cidade aos efetivos turcos e seus aliados, após um acordo nas últimas horas entre ambas as partes.

As forças russas estavam em Tel Refat, que estava em poder das Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança armada liderada por milícias curdas e aliada dos Estados Unidos, desde que a Turquia iniciou em 20 de janeiro uma ofensiva contra o território curdo-sírio de Afrin, cerca de 33 quilômetros ao leste.

Antes do começo do ataque turco em Afrin, a Rússia tinha aproximadamente 170 soldados estacionados nessa região em aplicação de um pacto de colaboração com as FSD para treinar seus efetivos na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

Horas antes do começo da ofensiva da Turquia em janeiro, a Rússia retirou seus militares de Afrin e os posicionou em Tel Refat.

O OSDH manifestou sua preocupação com o destino de aproximadamente 50 mil deslocados originais de Afrin que tinham fugido dessa população.

Segundo dados divulgados neste mês pelo Escritório de Coordenação Humanitária (OCHA, na sigla em inglês) das Nações Unidas, Tel Refat acolhe cerca de 75 mil deslocados de Afrin.

A Turquia anunciou em 18 de março que tinha tomado a cidade de Afrin, também em Aleppo, após expulsar as milícias curdo-sírias que a controlavam e advertiu que ampliaria sua ofensiva para outras partes do norte da Síria.

A Rússia é aliada do governo da Síria, que exigiu em várias ocasiões que a Turquia retirasse as tropas de seu território e que, em fevereiro, enviou milicianos para ajudarem as milícias curdas na luta contra o exército turco e seus aliados em Afrin.