Rússia e Cruz Vermelha pedem tréguas diárias a Assad

O objetivo das tréguas é 'garantir o acesso do CICV aos feridos e a outros civis que precisam de assistência e evacuação, e também a proteção das equipes médicas'

Moscou – A Rússia e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) pediram nesta segunda-feira ao regime de Bashar al Assad e à oposição armada síria que estabeleçam tréguas diárias de duas horas nos combates para permitir a entrega da ajuda humanitária à população civil.

‘As partes pedem ao governo sírio e a todos os grupos armados da oposição que aceitem imediatamente uma pausa diária’, assinala o comunicado da chancelaria russa.

O objetivo dessas tréguas diárias é ‘garantir o acesso do CICV e do Crescente Vermelho aos feridos e a outros civis que precisam de assistência e evacuação, e também a proteção das equipes médicas que ofereçam essa ajuda’.

Além disso, ‘a parte russa expressou a necessidade de garantir o acesso do CICV a todos os detidos na Síria por sua participação nas ações de protesto’.

A chancelaria russa emitiu esta nota oficial depois da reunião desta segunda-feira entre o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e o presidente do CICV, Jakob Kellenberger, que destacaram a ‘absoluta prioridade’ que todos os sírios que necessitem recebam ajuda humanitária.

‘Seguimos apoiando a todos os que necessitam de ajuda nas cidades onde há distúrbios. Esperamos ver resultados concretos em nossas atividades na Síria nos próximos dias ou semanas’, afirmou Victoria Zotikova, porta-voz da delegação regional do CICV, à agência ‘Interfax’.


Kellenberger, por sua parte, se mostrou satisfeito e agradecido pelo respaldo mostrado por Lavrov, já que, segundo afirmou, ‘o apoio da Rússia é muito importante’ para a Cruz Vermelha, segundo a informação divulgada pela agência oficial ‘Itar-Tass’.

O responsável, que viajará seguidamente a Bruxelas para tratar este assunto com o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, alertou para ‘a mais que provável piora’ da situação humanitária na Síria.

‘Em algumas regiões, as pessoas já sofrem há vários meses, especialmente as mulheres e as crianças’, destaca um comunicado do CICV, que lembra que nas cidades que são palcos de combates a situação é ‘muito grave e poderia piorar ainda mais’.

A esse respeito, Kellenberger qualificou hoje de ‘inaceitável’ a possibilidade que a crise humanitária se propague a outras cidades sírias, caso a conflagração se estenda por outras zonas do país árabe.

Precisamente, Lavrov já havia se manifestado a favor do acesso livre da ajuda humanitária ao país árabe, um dos cinco pontos do plano para a Síria pactuado no início de março pela Rússia e pela Liga Árabe.

A iniciativa estipula também o fim da violência, a criação de um mecanismo neutro que supervisione o cessar-fogo, a não-intervenção estrangeira e o apoio à mediação do ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

Moscou rejeitou até agora todas as resoluções propostas no Conselho de Segurança da ONU que aludem a uma possível intervenção ocidental na Síria e demandam a renúncia de Assad.