Rússia diz que não há alternativa para acordo nuclear vigente com o Irã

A Rússia afirmou que não há alternativa para atual acordo nuclear com o Irã, após os EUA e França afirmarem que querem um novo acordo

Moscou – O Kremlin disse nesta quarta-feira que não há alternativa para o acordo internacional sobre o programa nuclear do Irã, em resposta à proposta do presidente da França, Emmanuel Macron, de ampliar as exigências a Teerã para evitar que os Estados Unidos abandonem o pacto.

“Defendemos a conservação do JCPOA (como é conhecido o acordo em sua sigla em inglês) na sua redação atual. Acreditamos que por enquanto não há nenhuma alternativa”, disse aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

O acordo assinado em 2015 por Irã, EUA, China, Alemanha, França, Rússia e Reino Unido “foi o produto de uma diplomacia de filigrana por parte de muitos Estados”, lembrou Peskov.

“Esses esforços merecem um reconhecimento. Duvido que seja possível repetir um trabalho tão bem-sucedido nas atuais condições”, respondeu o porta-voz do Kremlin ao ser perguntado sobre se a Rússia apoiará a ampliação do acordo.

Durante sua reunião de ontem na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, Macron propôs ampliar as exigências ao Irã em um novo acordo que evite a saída de Washington do tratado.

A hipotética nova regra teria como objetivo bloquear a atividade nuclear de Teerã até além de 2025, tal como prevê o acordo de 2015, explicou o presidente francês.

Além disso, incluiria o cancelamento do programa de mísseis balísticos e “uma solução política para conter o Irã na região”, em países como “Iêmen, Síria, Iraque e Líbano”.

Em janeiro, Trump fez um ultimato aos países europeus signatários do pacto de 2015 para que negociassem com ele um acordo paralelo que corrigisse os “defeitos” do original.

Trump planeja anunciar sua decisão até o dia 12 de maio, data na qual tem que informar ao Congresso americano o grau de cumprimento do pacto nuclear.

O JCPOA limita e supervisiona o programa atômico de Teerã em troca da suspensão das sanções internacionais.