Rússia descarta boicote das Olimpíadas em caso de suspensão

Segundo ministro, a Rússia não pretende boicotar nenhum evento esportivo, até mesmo em caso de suspensão das competições de atletismo

Londres – A Rússia não pretende boicotar nenhum evento esportivo, até mesmo em caso de suspensão das competições de atletismo, garantiu nesta quinta-feira o ministro dos esportes Vitali Mutko, cujo país corre risco de ser banido dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 por conta de acusações de “doping organizado”.

“Não está previsto nenhum boicote, em nenhum lugar”, assegurou Mutko, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

O ministro ainda descreveu a Rússia como um “parceiro confiável do movimento olímpico mundial”.

A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) vai decidir nesta sexta-feira se seguirá as recomendações da Agência Mundial Antidoping (WADA) de suspender a Rússia de todas as competições, inclusive as olimpíadas do ano que vem, no Rio de Janeiro.

A decisão sairá ao final de uma reunião por videoconferência, marcada para começar às 16h00 (no horário de Brasília).

Na segunda-feira, uma comissão independente da WADA divulgou um relatório bombástico, no qual denuncia um esquema de doping generalizado sem precedentes, que “não poderia existir sem a aprovação tácita ou explícita das autoridades governamentais russas”.

Na quarta-feira, o presidente Vladimir Putin pediu que seja realizada uma investigação interna para apurar as acusações da WADA e argumentou que apenas os culpados, e não todos os atletas russos, devem ser punidos.

A IAAF deu até o fim da semana para a Federação Russa apresentar sua defesa, o que a entidade fez nesta quinta-feira.

“Será enviada antes das 20H00 de Moscou (15h00 no horário de Brasília). Redigimos a resposta para provar nossa inocência. Quantas páginas têm? Uma ou cem, isso não importa”, declarou Vadim Zelichenok citado pela agência R-Sport.

A Rússia recebeu o apoio do ucraniano Serguei Bubka, lenda viva do atletismo, que participará da decisão por ser vice-presidente da IAAF.

“Todas os envolvidos, dirigentes ou treinadores, precisam pagar o preço, mas aqueles que não têm nada a ver com doping não podem perder nenhuma competição”, opinou o ucraniano, que detém há mais vinte anos o recorde mundial do salto com vara ao ar livre (6.14 m).

Campeão olímpico em Seul-1988, o próprio Bubka foi ‘vítima’ de um boicote, em 1984, quando não pôde participar dos Jogos de Los Angeles, por conta da não participação do bloco comunista, em meio às tensões diplomáticas da Guerra Fria.