Rússia avisa que há risco de guerra se EUA atacarem a Síria

Embaixador russo na ONU afirmou que a hipótese de guerra após ataque dos EUA na Síria não pode ser descartada, porque há muitos militares russos no país

Nações Unidas – O embaixador russo na ONU, Vasyl Nebenzia, alertou nesta quinta-feira que há risco de guerra entre seu país e os Estados Unidos se a Casa Branca decidir lançar um ataque contra a Síria.

“Não podemos excluir nenhuma possibilidade, infelizmente, porque vimos mensagens saindo de Washington que são muito belicosas”, afirmou o embaixador aos jornalistas na sede da ONU.

Para o diplomata russo, a prioridade imediata é evitar o risco de guerra. Por isso, Nebenzia pediu que os EUA e seus aliados não utilizem a força contra a Síria.

Perguntado se essa guerra pode colocar os americanos contra os russos em uma guerra direta, Nebenzia disse que a hipótese não pode ser descartada porque há militares russos na Síria e existe um grande risco de escalada do conflito.

“Eles sabem que estamos lá. Eu gostaria que tivesse diálogo pelos canais apropriados para evitar qualquer acontecimento perigoso. A situação é muito perigosa e queremos deixar isso claro”, disse o embaixador ao término de uma reunião no Conselho de Segurança.

O encontro foi convocado pela Bolívia para discutir as ameaças feitas ontem pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que ontem avisou a Rússia para se preparar para o lançamento de mísseis contra a Síria, em represália pelo suposto ataque químico na cidade de Duma.

Os EUA acusam o regime do presidente da Síria, Bashar al Assad, aliado de Kremlin, de ser responsável pelo ataque.

Nebenzia defendeu hoje que a mera ameaça de um ataque por parte dos EUA é uma “clara violação” da Carta da ONU.

“Esperamos que haja um ponto de retorno, que os EUA e seus aliados desistam de uma ação militar contra um Estado soberano”, indicou Nebenzia.

O embaixador russo na ONU disse que seu país pediu uma nova reunião do Conselho de Segurança para analisar com o secretário-geral, António Guterres, as tensões na Síria. Ainda não há data para o encontro, mas Nebenzia acredita que ele será realizado em breve.