Rússia anuncia leilão da principal planta de extração e refino da Yukos

A unidade de Yuganskneftegaz será leiloada em 19 de dezembro por um preço mínimo de 8, 7 bilhões de dólares

O governo russo decidiu levar a leilão a mais importante planta de extração e refino de petróleo da Yukos, a Yuganskneftegaz, situada na Sibéria, por um lance mínimo de 8, 7 bilhões de dólares. Para os analistas, a medida representa um golpe mortal do presidente russo Vladimir Putin sobre o grupo comandado por Mikhail Khodorkovsky, homem mais rico da Rússia e seu principal inimigo político. “A Yukos nunca mais será a mesma”, afirmou o economista Adan Landes, da corretora Renaissance Capital, ao jornal britânico Financial Times.

O preço estabelecido pelo governo russo ficou acima das projeções mais pessimistas do mercado, mas abaixo do verdadeiro valor da Yuganskneftegaz. Segundo os analistas, isso é um sinal de que Putin pretende forçar a venda de outras unidades da Yukos para cobrir as dívidas tributárias do grupo, estimadas em 18,5 bilhões de dólares. Khodorkovsky está sendo processado por evasão fiscal e fraudes contábeis. Se condenado, sua pena pode chegar a dez anos de prisão.

A agência russa responsável pelo leilão da unidade siberiana, marcado para 19 de dezembro, informou que o lance mínimo de 8,65 bilhões de dólares equivale a 246,8 bilhões de rubros, referente a 76,79% do capital investido na Yuganskneftegaz.

O executivo-chefe da Yukos, Steven Theede, contestou o valor fixado pelas autoridades russas. “O que estamos testemunhando é, simplesmente, um roubo organizado pelo governo para atingir um objetivo político”, afirmou ele ao jornal britânico. Para participar do leilão, os grupos interessados deverão depositar garantias no valor de 1,73 bilhão de dólares. A medida foi interpretada como uma tentativa do governo de impedir que os atuais acionistas majoritários da Yukos participem do leilão apenas para atrapalhá-lo, apresentando ofertas elevadas sem a intenção de concretizá-las.