Rio+20: Ahmadinejad pede compaixão na ordem mundial

O líder iraniano declarou que de nada serve criar novos órgãos internacionais "se forem iguais e servirem para cobrir os problemas" das atuais instituições

Rio de Janeiro – O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez nesta quarta-feira um apelo em prol de uma “nova ordem mundial” em seu discurso na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

“A ordem mundial deve ser redesenhada para servir às necessidades materiais e espirituais da humanidade”, disse Ahmadinejad em seu discurso no plenário da Rio+20, que pronunciou em farsi, a língua do Irã.

O líder iraniano declarou que de nada serve criar novos órgãos internacionais “se forem iguais e servirem para cobrir os problemas” das atuais instituições, entre as quais citou a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Conselho de Segurança da ONU, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo Ahmadinejad, a atual ordem mundial se baseia no materialismo, no lucro econômico, no consumismo, na perda da moral e no ateísmo, princípios sobre os quais os países ricos “justificam o uso de velhos meios”, como a violência ou a devastação do meio ambiente.

“A minoria que se considera acima dos outros muda de slogans e de aparência todo o tempo para continuar com sua hegemonia e apertar o controle dos recursos naturais”, afirmou o líder.

Segundo Ahmadinejad, “enquanto o ser humano definir um ao outro como inimigo”, não será possível mudar a situação atual e estabelecer uma ordem mundial que se baseie em “princípios humanitários e na compaixão”.

A delegação de Israel saiu da sala do plenário quando foi anunciado que o próximo a discursar seria Ahmadinejad.

Na semana passada o Centro Simon Wiesenthal pediu aos governantes de todo o mundo a “rejeitar encontros bilaterais” com Ahmadinejad durante a Rio+20 e a “deixar o lugar” no qual o líder iraniano tivesse a palavra”.