Relatório denuncia abuso de jovens em base naval australiana

Adolescentes foram vítimas de abusos entre os anos de 1960 e 1984 quando se encontravam recrutados na base naval Leeuwin, no sudoeste da Austrália

Sydney - Centenas de adolescentes foram vítimas de <strong><a href="http://www.exame.com.br/topicos/abuso-sexual">abusos</a></strong> físicos e sexuais entre os anos de 1960 e 1984 quando se encontravam recrutados na base naval Leeuwin, no sudoeste da <strong><a href="http://www.exame.com.br/topicos/australia">Austrália</a></strong>, de acordo com as denúncias apresentadas nesta quarta-feira em um relatório no Parlamento, na capital Canberra.</p>

O grupo especial que investiga a resposta da Defesa aos abusos cometidos nas Forças Armadas, liderado pelo ex-juíz Len Roberts-Smith, analisou os casos de mais 200 recrutas alistados em Leeuwin e levou dois casos para a polícia, informou o canal “ABC”.

O relatório, que detalha os abusos e inclui depoimentos das vítimas, afirma que existe a possibilidade de que alguns dos culpados ainda estejam trabalhando na Defesa.

Os abusos cometidos na base de treinamento naval são muito mais extensos do que o divulgado até o momento, segundo o relatório, e as autoridades não fizeram nada para impedir as agressões.

O líder do grupo de investigação informou que adolescentes de até 15 anos foram vítimas de “um extraordinário nível de abusos físicos e sexuais” e muitos deles tentaram denunciá-los, sem sorte.

“Eles foram desencorajados efetivamente e, muitas vezes, foram vítimas do pessoal ou de seus companheiros. Aqueles que não se queixaram naquele momento, que seriam a maioria, não o fizeram porque sabiam perfeitamente quais seriam as consequências”, comentou o ex-juíz à “ABC”, após apresentar a denúncia na Câmara australiana.

As vítimas, que na atualidade têm cerca de 60 anos, “viveram com o trauma do que aconteceu e do fato de que não puderam contá-lo a ninguém”, declarou Roberts-Smith.

Esse grupo especial foi criado em 2012 para analisar todos os casos de abuso dentro das Forças Armadas da Austrália, mas deveria colocar ênfase especial na investigação dos abusos físicos e sexuais na base Leeuwin.

Em 2012, o então governo trabalhista de Julia Gillard pediu desculpas às vítimas de abusos sexuais e outros tipos de assédio e agressões que foram cometidos dentro das Forças Armadas.

Este gesto foi motivado por um relatório encarregado pelo governo à firma jurídica DLA Piper para revisar as acusações de 847 pessoas sobre abusos sexuais e outras agressões dentro das Forças Armadas.

A Marinha australiana recrutou menores de até 13 anos de idade nas décadas de 1950 e 1960, enquanto em todos os corpos do Exército havia o recrutamento de menores de até 15 anos de idade até o princípio dos anos 1980.