Reino Unido identifica 2 suspeitos russos envolvidos no caso Skripal

Sergei Skripal morava no Reino Unido desde uma troca de espiões com Moscou em 2010 e foi envenenado em março na cidade inglesa de Salisbury

Londres – Procuradores britânicos identificaram nesta quarta-feira dois russos que disseram terem tentado assassinar o ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia com um agente nervoso de uso militar na Inglaterra.

Skripal, um ex-coronel da inteligência militar russa que entregou dezenas de agentes ao serviço de espionagem estrangeira do Reino Unido, o MI6, e Yulia foram encontrados inconscientes em um banco público na cidade inglesa de Salisbury em 4 de março.

O Reino Unido acusou a Rússia pelos envenenamentos e identificou o veneno como Novichok, um agente nervoso letal desenvolvido pelos militares soviéticos nos anos 1970 e 1980. Moscou nega qualquer envolvimento no ataque.

Um mandado de prisão europeu foi emitido para os dois russos, identificados como Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, disseram os procuradores. A polícia divulgou duas imagens dos dois.

“Não solicitaremos à Rússia a extradição destes homens, já que a Constituição russa não permite a extradição de seus próprios cidadãos”, disse Sue Hemming, diretora dos Serviços Legais da Procuradoria da Coroa britânica.

Nesta quarta-feira, o Ministério de Relações Exteriores da Rússia disse que os nomes identificados pelos procuradores britânicos “não significam nada para nós”, segundo a agência de notícias RIA.

Neil Basu, chefe da polícia de contraterrorismo, disse que os dois suspeitos estão viajando com pseudônimos, mas que têm cerca de 40 anos e usam passaportes russos genuínos.

Basu disse que vestígios de contaminação de Novichok foram encontrados no quarto de hotel de Londres no qual os dois se hospedaram, e que eles chegaram ao Reino Unido no dia 2 de março e partiram em 4 de março.

“Exames foram realizados no quarto de hotel em que os suspeitos se hospedaram. Duas amostras mostraram contaminação de Novichok em níveis abaixo daqueles que causariam preocupações com a saúde pública”, disse Basu.